Exame de DNA comprova troca de bebês em maternidade de Goiânia

Sebastião Montalvão
Especial para o UOL Notícias
Em Goiânia (GO)

O resultado de um exame de DNA, previsto para a próxima sexta-feira (19), deve pôr fim ao drama de duas famílias simples de bairros periféricos de Goiânia. Elas teriam sido vítimas de um caso de troca de bebês em uma maternidade no bairro de Campinas, um dos mais tradicionais da capital goiana.

A situação foi descoberta após os pais de uma das crianças, desconfiados, terem procurado um laboratório de DNA. O resultado, que já ficou pronto, comprovou a troca: a bebê que convive com eles por quase um mês não é filha do casal. Agora, a outra família envolvida realiza o procedimento.

O caso já está sendo investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). "A princípio, trabalhamos com a hipótese de que a troca não foi intencional", relatou a delegada do caso, Adriana Accorsi. No início da tarde de hoje, as duas mães prestaram depoimento na delegacia.

A história teve início no final de novembro, quando Ludmila Ferreira, 26, deu à luz uma menina, no Hospital Santa Lúcia. No mesmo quarto, estava Ana Cláudia, que também teve uma menina. Ludmila conta que quando amamentava o bebê, ainda no hospital, percebeu que na pulseira de identificação da criança constava o nome de Ana Cláudia.

"Na hora chamei uma funcionária e comuniquei que poderia estar havendo um engano. Ela riu e questionou se eu não reconhecia a minha própria filha", disse. Intrigada, e após receber alta, ela e o marido, o vendedor Robson Gleiner da Silva, decidiram tirar a dúvida, através de um exame de DNA. O resultado comprovou que a recém-nascida levada para a casa deles não era filha do casal.

Após a constatação, o casal comunicou o fato ao Consellho Tutelar da região e também à polícia, que iniciaram as investigações. "Estamos muito abalados. A minha esposa e eu não conseguimos nem dormir direito", disse Robson, que afirmou esperar uma solução o mais rápido possível.

Outro exame de DNA foi feito com Ana Cláudia, o marido dela, Rodrigo Pinheiro, e a bebê que está com eles. A expectativa é de que seja confirmada a troca.

"Estamos todos chocados com a situação. Mas o importante agora é descobrir se essa é a nossa filha. Fizemos o exame e estamos aguardando", disse Rodrigo, em entrevista à TV Record local. Sobre a possibilidade de troca, ele disse que prefere aguardar o resultado dos exames para ter uma posição. "Agora é esperar".

A conselheira tutelar Luane Araújo disse que conversou com Ana Cláudia e que ela não expressou decisão sobre o futuro da filha. Prefere mesmo aguardar os resultados dos exames. "Ela disse que não tem dúvidas. Para ela, a criança que ela tem em casa é a filha biológica dela", revelou.

A delegada Adriana Accorsi disse ainda que, se for confirmada que houve intenção na troca, o responsável poderá ser indiciado em crime, previsto no Estatuto da Criança e Adolescente, por adulteração de identidade de menor. A pena prevista pode chegar a dois anos de detenção.

A reportagem do UOL, entrou em contato com o Hospital Santa Lúcia e a informação da atendente é que a responsável pelo estabelecimento, Maria Alkina Meneses, não estava e que só ela poderia se pronunciar. Em ligação anterior, a informação é que ela emitiria uma nota oficial à tarde, o que não aconteceu até o término da reportagem.

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