Governo de SC lança grupo de prevenção a desastres

Luiz Nunes
Especial para o UOL Notícias
Em Florianópolis (SC)

Com o objetivo de prever futuros problemas ambientais, Santa Catarina passa a contar com um Grupo Técnico Científico (GTC) a partir desta quarta-feira (17). A estrutura integra pesquisadores de áreas como geologia, engenharia e meteorologia. A equipe foi criada oficialmente hoje e terá a missão também de definir onde é seguro reurbanizar áreas abaladas por enchentes e deslizamentos de terra.

A primeira reunião do grupo está marcada para janeiro e o início dos estudos deve ocorrer em fevereiro. Cerca de 20 laboratórios das sete universidades parceiras do GTC serão utilizados, com participação de profissionais e cessão de sua estrutura. "De imediato, vamos tomar medidas para fortalecer o sistema de previsão climática no Estado", explica o coordenador geral do projeto, Antônio Diomário de Queiroz, que é presidente Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica de Santa Catarina (Fapesc).

No lançamento do grupo, o governador Luiz Henrique da Silveira anunciou que solicitou ao ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, a aquisição de um radar meteorológico para o Estado, cujo custo estimado é de US$ 2 milhões. O equipamento deve ser instalado no planalto catarinense, mas ainda não há data prevista para que isso ocorra.

O governador prometeu ainda a ampliação dos recursos em projetos de pesquisa do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram). Outro compromisso é o de solicitar à Agência Espacial Brasileira a disponibilização de mapas de satélite em maior grau para análise e monitoramento de riscos naturais.

O GTC deve trabalhar na prevenção não apenas de enxurradas, mas em outros problemas decorrentes de mudanças climáticas. As conclusões sobre os primeiros estudos devem ser apresentadas em seis meses. "Depois, em 180 dias, o grupo deve apresentar trabalhos técnicos já com a proposição de medidas preventivas nas diversas áreas temáticas: enchente, desmoronamento, seca, ciclone, furacão e granizo, entre outras", explica Queiroz.

Durante a explanação do governador, foi apresentado um laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo, que confirmou não ter havido abalo sísmico quando da explosão de parte da tubulação do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol), em Gaspar. Antes, rumores indicavam que a ruptura teria propagado ondas e afetado o Complexo do Baú, entre Gaspar, Ilhota e Luis Alves, onde ocorreram inúmeros deslizamentos de terra.

Ainda não há previsão orçamentária para a gestão do GTC. Segundo Queiroz, a equipe é uma subdivisão do Grupo de Reação à Calamidade, criado pelo governo, cujo orçamento é de cerca de R$ 200 milhões. "Nossos custos dependerão dos estudos propostos", explica o coordenador. A verba deve ser canalizada via ministérios da Ciência e Tecnologia e das Cidades.

O grupo é integrado por representantes de órgãos do governo, das universidades e de entidades como o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea). "Imediatamente vamos fazer um estudo dos solos onde as prefeituras pretendem construir novas residências e ver se estão mesmo fora de áreas de risco", explica coordenador técnico do GTC, Zenório Piana, diretor da Fapesc.

Entre as atividades, haverá também controle dos níveis das marés e dos rios. Outro objetivo é prever a capacidade do solo em reter água. "Ainda vamos analisar estudos já existentes sobre a possibilidade de fazer canais extravazores para que a água escoe por um caminho que afete pouco a cidade, semelhante ao que foi feito em Brusque", aponta Piana.

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