Policiais civis encerram greve na Bahia

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Após 10 dias de paralisação e 48 assassinatos sem investigação, os policiais civis da Bahia decidiram na tarde desta quarta-feira (17) suspender a greve da categoria.

Durante assembléia, que contou com a presença do deputado federal Nelson Pellegrino (PT), representando o governador Jaques Wagner (PT), ficou acertado que o governo encaminhará projeto de Lei Orgânica, principal exigência da corporação. O projeto possibilita o aumento nos salários e estabelece normas para o remanejamento de profissionais para outras delegacias.

Policiais militares ainda adotam leis da ditadura

Nove das 27 polícias militares do país ainda adotam normas copiadas do Exército durante o regime militar. Levantamento obtido pela Folha revela que os mais de 20 anos de redemocratização não bastaram para atualizar os regulamentos disciplinares das PMs de Santa Catarina, Bahia, Rio Grande do Norte, Roraima, Amapá, Amazonas, Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul



Reticentes em relação à proposta do governo, os agentes impuseram uma condição para voltar às atividades: a proposta do governo deve ser encaminhada até as 18h desta quarta (18) à Assembléia Legislativa.

"Se o governo não cumprir o acordo, voltaremos à greve com força total, mobilizando 100% do efetivo", afirmou o secretário-geral do Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindipoc), Bernardino Gayoso.

Durante os 10 dias de greve, além dos assassinatos sem investigação, houve rebeliões em algumas delegacias no interior o Estado e fugas de presos nos município de Itabela, Coaraci, Vitória da Conquista e Itabuna.

Na semana passada, a Justiça decretou a ilegalidade do movimento. Ainda assim, os policiais decidiram manter a paralisação. Em represália, o governador Jaques Wagner autorizou o corte de ponto dos grevistas, decisão que poderá ser revista com a decisão tomada esta tarde.

De acordo com o sindicato da categoria, 4.600 policiais aderiram à paralisação -70% do efetivo do Estado. Os delegados continuaram trabalhando normalmente. Ao ser informado sobre o final da paralisação, o governador Jaques Wagner comemorou a decisão e pediu para que as secretarias da Segurança Pública e Administração cumpram o prazo. Wagner está na Costa do Sauípe (litoral norte da Bahia), onde ocorre um encontro entre 33 chefes de Estado da América Latina e do Caribe.

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