Bebês trocados em maternidade de GO são devolvidos aos pais biológicos

Sebastião Montalvão
Especial para o UOL Notícias
Em Goiânia (GO)

Duas famílias de Goiânia protagonizaram uma história pouco comum na noite desta sexta-feira (19). Eles foram à delegacia de polícia para desfazer a troca de dois bebês que nasceram há 20 dias, no hospital Santa Lúcia, no bairro Campinas, em Goiânia (GO). Os bebês haviam sido trocados ainda no berçário e somente hoje Luanna e Nicole foram para a casa de seus pais biológicos. Exames de DNA comprovaram a troca.
  • Demian Duarte/Jornal Hoje

    Os dois casais se encontram para destrocar seus bebês, Luanna e Nicole

  • Demian Duarte/Jornal Hoje

    Ludmila Ferreira entrega o bebê para o pai biológico, Rodrigo Pinheiro, marido de Ana Cláudia


"É sempre difícil uma despedida de quem já amávamos muito. Mas agora meu coração está mais sossegado em saber que estamos com a nossa filha. E temos amor em dobro para ela", ressaltou Ana Cláudia Lima, mãe de Nicole. "Estamos mais aliviados por acabar com essa dúvida. Estou muito feliz por ter a nossa bebê de volta", ressaltou Ludmila Ferreira, mãe de Luanna.

Logo após pegarem os resultados de DNA, as duas famílias seguiram para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) onde foi oficializada a troca. Com a solução do caso, a delegada Adriana Accorsi espera concluir o inquérito, aberto para investigar a troca, na próxima terça-feira. A única pessoa indiciada deve ser a enfermeira Rosemar Correa da Silva, de 50 anos, a primeira pessoa a levar as crianças para as mães.

Ainda assim, a delegada trabalha com a hipótese de troca sem intenção. "O indiciamento será por negligência, mas não acreditamos que foi de propósito", ressaltou a delegada. Ela disse ainda que, no âmbito criminal, apenas a enfermeira pode ser responsabilizada. Os pais dos bebês, entretanto, afirmaram que pretendem recorrer à Justiça, em ação indenizatória, para que o hospital também seja responsabilizado. Os pais estão passando por acompanhamento psicológico.

A diretora-técnica do hospital, Maria Alkina Alves Meneses, acompanhou toda a ação de ontem, desde o laboratório de genética até a delegacia. "Já conversamos com os pais e estamos à disposição. Vamos aguardar a decisão da Justiça e acataremos tudo que for decidido", ressaltou. Segundo ela, o erro pegou todos de surpresa. "O hospital tem tradição de mais de 40 anos e credibilidade. Para nós, foi surpresa".

Histórico
Luanna e Nicole nasceram no dia 29 de novembro em um período de pouco mais de uma hora. As mães, Ludmila Ferreira e Ana Cláudia de Melo Lima dividiram o quarto da maternidade. Ludmila afirma que, quando recebeu a filha, notou que a criança tinha no braço a pulseira com o nome de Ana Cláudia.

Ela conta que chamou a enfermeira e comunicou o erro, mas ela teria dado "pouca importância". Intrigada, e após receber alta, ela e o marido, o vendedor Robson Gleiner da Silva decidiram tirar a dúvida, através de um exame de DNA. O resultado comprovou que a recém-nascida levada para a casa deles não era filha do casal.

O caso foi denunciado no Conselho Tutelar e na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Esta semana, as duas mães e as duas crianças fizeram o exame que confirmou a troca. O resultado foi divulgado no fim da tarde desta sexta-feira.

"Fizemos o mapeamento genético e comparamos o sequenciamento do DNA. Hoje fizemos a contraprova e o resultado deu positivo. Tudo dentro da mais alta confiabilidade", garantiu Frank Sérgio Gonçalves, executivo comercial do laboratório onde os exames foram feitos. Os exames foram feitos na sede do grupo, em Uberlândia (MG) e o resultado saiu em três dias.

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