Crise financeira não afeta comércio popular em bairro paulistano

Ivy Farias
Da Agência Brasil

Faltando menos de uma semana para o Natal, o comércio de atacado e varejo do Brás, região central da cidade, não sofre qualquer reflexo da crise financeira internacional.

Segundo o diretor da Associação dos Lojistas do Brás (Alobrás), Jean Makdissi Júnior, com a crise, as pessoas estão evitando comprar bens de consumo mais caros, como eletrônicos, e migrando para a indústria do vestuário, o que beneficia o comércio da região.

De acordo com Makdissi, para 2008, a previsão de crescimento nas cerca de 6 mil lojas do Brás é de 8%.

Ele disse que o mês de dezembro divide opiniões entre os lojistas da região: "O movimento apresentou diferenças entre um lojista e outro." Os comerciantes Nancy e José Cortez, por exemplo, acham que este mês está seguindo a tendência fraca de 2008. "Estamos sofrendo muito com os produtos importados da China", afirmou Nancy.

No bairro há mais de 30 anos, o casal trabalha com roupas femininas e reclama de queda no volume de negócios. "Nem os imigrantes ilegais abalaram tanto nosso negócio como os chineses. Antes, tínhamos 30 oficinas de costura, hoje temos apenas dez", disse José.

Para Makdissi, os empresários que não investem no próprio negócio são os que mais se queixam da concorrência: "Aqueles que não priorizam produção diferenciada e estilo acabam ficando em situação delicada, do ponto de vista competitivo, diante com o mercado irregular e o [produto] chinês. Quem investe em criação própria e desenvolvimento de produto está em posição mais privilegiada que os demais."

Na opinião de Deize Anseloni, gerente de uma loja de moda feminina na região, o movimento nesta época do ano está bom, mas não como nos outros anos. "Em 2006 foi excelente, 2007 foi ótimo e 2008 é apenas bom", ressaltou.

Deize observou que as pessoas continuam andando na região, mas são mais seletivas na hora de comprar. "O público do Brás, que é classe C e D não foi afetado pela crise, mas noto que os consumidores estão preocupados em pagar as contas, em não fazer dívidas."

Pesquisando preços no Brás, a auxiliar de enfermagem Luciana Maria Santos mostrou-se preocupada com o futuro: "A crise está vindo aí, não é? Por isso, estou de olho nas promoções." A gerente Deize confirmou a tendência dos consumidores de buscar os produtos que estão em liquidação. "Criamos muitas promoções para atrair os clientes. Em algumas mercadorias, o desconto chega a 50%."

No último mês do ano, a Alobrás espera receber cerca de 500 mil pessoas por dia, entre compradores e pessoas que vão ao bairro para passear. A professora Maria do Carmo Barbosa Soares enquadra-se na última categoria: foi ao Brás apenas para passear. "Até agora, não comprei nada. Não sei se vou levar alguma coisa, porque os preços não estão tão baixos", afirmou.

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