Após fortes chuvas, MG contabiliza estragos; 43 municípios decretaram emergência

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte (MG)

A interrupção dos temporais que castigaram grande parte de Minas Gerais nos últimos dias fez com que prefeituras e moradores das regiões afetadas passassem a se preocupar com os estragos deixados pelos temporais e com os mutirões de limpeza.

Rio: Marinha confirma ajuda às vítimas das chuvas

A Marinha do Brasil divulgou uma neste domingo em que confirma a realização de uma operação de apoio à Defesa Civil do Estado do Rio no atendimento às vítimas das enchentes na região noroeste fluminense. Neste sábado (20), o Corpo de Bombeiros de Campos dos Goytacazes (RJ) confirmou que três crianças morreram afogadas devido às enchentes. Campos é um dos 12 municípios do Rio que decretaram situação de emergência por conta das chuvas, segundo a Defesa Civil do Estado


Em Divinópolis (região centro-oeste do Estado), a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) informou que os trabalhos de limpeza do reservatório da cidade terminaram por volta das 2h da madrugada deste domingo (21) e que gradativamente a população voltará a receber água.

O local havia sido invadido pela cheia do rio Itapecerica, causando a interrupção do fornecimento para cerca de 80% da população. A cidade tem 210 mil moradores.

A companhia informou ter enviado água potável e um caminhão hidrojateador (que faz a limpeza de ruas e galerias por meio de água sob pressão) à cidade de Muriaé, que foi inundada pelos rios Muriaé, Glória e Preto. Cerca de 10 mil pessoas foram desalojadas e 42 estão desabrigadas, segundo informou a Defesa Civil.

Depois de ficarem ilhados por quatro dias, moradores de Brumadinho (região metropolitana de Belo Horizonte), puderam atravessar a principal ponte de acesso ao município, que fica sobre o rio Paraopeba, responsável pela inundação da cidade.

Segundo a Defesa Civil municipal, cerca de 100 famílias estão desabrigadas na cidade, o que corresponde a aproximadamente 250 pessoas.

Em Jeceaba (região central do Estado), moradores e a prefeitura tentam retirar o barro acumulado nas casas e ruas do município. Metade da cidade ficou submersa após os rios Camapuã e Paraopeba transbordarem.

MG: chuva abre cratera

As fortes chuvas que atingiram o Estado de Minas Gerais derrubaram parte de uma ponte e interromperam o tráfego na BR-494, em um trecho de cerca de 35 quilômetros, entre Carmo da Mata e Oliveira, neste domingo. Os motoristas precisam fazer um desvio, que aumenta a viagem em 60 quilômetros. A estrada é um dos principais acessos da região à rodovia Fernão Dias


"Os móveis foram todos embora e agora ficou um barro fedorento. Eu não sei quanto de prejuízo tive porque roupas e tudo o que eu tinha foi embora", relata Hans Antônio, 38 anos, que mora a 20 metros do rio Camapuã.

No entanto, Antônio acredita que as perdas poderiam ter sido piores. "Graças a Deus a minha casa não caiu, mas vizinhos meus estão em situação pior porque as casas deles caíram", relata. O morador trabalha como vigia da prefeitura, que também ficou alagada.

O capitão do Corpo de Bombeiros Quintiliano Silva, chefe da companhia responsável por atendimentos de emergência nas cidades de Cataguases e Muriaé, informou à reportagem do UOL que, gradualmente, os rios responsáveis pelas enchentes nessas localidades estão voltando ao nível normal e não existem mais pessoas isoladas.

Em Cataguases, 1.860 pessoas ficaram desabrigadas e 8.500 desalojadas.

Já o capitão Anderson de Almeida, do Estado Maior Emergencial do Corpo de Bombeiros (grupo criado em Belo Horizonte para reunir informações sobre a condição das cidades atingidas pelas chuvas), disse que as águas do rio Paraopeba, em Belo Vale (região central), baixaram 2,5 metros, possibilitando a passagem pela ponte que liga a cidade ao município de Moeda. A cidade estava isolada pela chuva havia quatro dias.

Já na cidade histórica de Congonhas (também na região central), Almeida afirma ser de 25 cm por hora a diminuição no nível das águas que inundaram a cidade.

Previsão do tempo
Segundo o meteorologista Ruibran dos Reis, do Instituto MG Tempo/Cemig/PUC Minas, poderá haver pancadas de chuvas isoladas nas regiões oeste, sul e central do Estado neste domingo (21). Há previsão de as chuvas retornarem com intensidade nas regiões afetadas durante o Natal.

Saldo das chuvas
Desde o início da temporada de chuvas, no mês de setembro, 13 pessoas morreram e 43 municípios decretaram situação de emergência de um total de 81 cidades que relataram danos pelas enchentes.

Segundo a Defesa Civil do Estado, 288 pessoas se feriram, 27.791 estão desalojadas (em casa de vizinhos ou parentes) e 4.594 estão desabrigadas. Até o momento, 177 casas e pontes foram destruídas, e outras 13.977 residências apresentaram algum tipo de dano.

A Defesa Civil informou ter enviado equipes aos locais mais atingidos e remetido 76 toneladas de alimentos, 4 mil cobertores e 3,5 mil colchões às vítimas das chuvas, além de rolos de lona para contenção de encostas.

Saúde
O secretário de Saúde do Estado, Marcus Pestana, disse que a partir desta segunda-feira (22) três milhões de cartilhas serão distribuídas aos moradores das regiões afetadas.

Os panfletos contêm informações sobre manuseio de alimentos, preparação de água para consumo e o combate a possíveis epidemias, como dengue, hepatite e a leptospirose (transmitida pela urina de ratos). Segundo Pestana, os medicamentos de hospitais e postos de saúde perdidos nas enchentes serão repostos.

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