Dragagem no porto de Itajaí deve demorar ainda duas semanas para começar

Daniel Lima
da Agência Brasil
Em Brasília

A dragagem do canal de acesso ao complexo portuário do Itajaí-Açu ainda deve demorar pelo menos duas semanas, contrariando previsão do ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito.

De acordo com informações da assessoria de imprensa do porto de Itajaí, confirmadas pela secretaria, as dragas não chegaram ao complexo. Uma está na Argentina, outra no Rio de Janeiro e uma terceira pode vir da China. A expectativa é que junto com o equipamento cheguem também os técnicos para realizarem parte dos serviços.

Se isso não ocorrer, haverá novo atraso por conta do treinamento de trabalhadores nacionais para operar as dragas em Itajaí, informou Anselmo de Souza, diretor do Conselho de Autoridade Portuária (CAP). Ele lembrou que a legislação brasileira obriga que dois terços dos trabalhadores nesses casos sejam brasileiros.

Anselmo de Souza, que participou de reunião hoje (23) da CAP, informou que será encaminhada à Secretaria Especial de Portos da Presidência da República solicitação para que a empresa que foi a segunda colocada no processo de escolha para a operação de dragagem assuma o contrato, já que o primeiro consórcio não cumpriu os prazos e, segundo ele, parece estar com problemas em levar as dragas para Itajaí.

"A empresa chinesa prometeu colocar as dragas após a assinatura do contrato. Até agora isso não apareceu aqui. Estamos recorrendo à Presidência da República para colocar a segunda vencedora", disse Anselmo de Souza.

O porto, considerado o maior porto exportador de produtos frigoríficos da América Latina e o segundo maior de contêineres, deixou de funcionar totalmente entre os dias 21 de novembro e 3 de dezembro devido aos estragos provocados pelas chuvas no Estado de Santa Catarina no mês passado.

Com o problema, o porto deixou de receber três navios de grande porte por dia. Apenas navios médios passaram a operar a partir do dia 4 de dezembro.

Das três dragas aguardadas, a maior tem capacidade operacional para 13 mil metros cúbicos. As outras duas operam com 3,5 mil e 5 mil metros cúbicos cada. Os equipamentos serão capazes de recuperar a profundidade do canal para 11 metros.

Desde que teve suas instalações destruídas em conseqüência das enchentes, o porto de Itajaí contabiliza prejuízos que variam de US$ 30 milhões a US$ 35 milhões ao dia. Ou seja, cerca de R$ 1 bilhão até hoje (23). Esses cálculos, segundo a assessoria, não incluem os prejuízos causados às empresas vinculadas aos serviços portuários na região.

A dragagem e as obras de recuperação dos berços (locais de atracação) irão utilizar os R$ 350 milhões liberados por meio da Medida Provisória 448, de 26 de novembro. Um consórcio formado pelas empresas EIT Empresa Industrial Técnica S/A, DTA Engenharia Ltda, EQUIPAV S/A Pavimentação e Comércio e CHEC Dredging e CO. Ltda, que representam a chinesa Shangai Dredging Co é responsável pela obra orçada em R$ 17,5 milhões.

A expectativa do ministro da Secretária Especial de Portos, Pedro Brito, era começar os trabalhos na semana passada. No último dia 12, ele assinou uma ordem de serviço para o início dos trabalhos de dragagem do canal após acompanhar a visita ao local do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pelos cálculos do ministro, iniciados os trabalhos, a dragagem estaria concluída em 90 dias. É necessária a remoção de 3.800 milhões de metros cúbicos de material do canal. A recuperação do porto, segundo a secretaria, é indispensável para 70% da economia do Estado.

A perda do trabalhador portuário avulso com a paralisação do porto chega a R$ 150 mil por dia. Os despachantes também contam com prejuízos aproximados de R$ 100 mil por dia. "A empresa que venceu é chinesa. Eles deram o preço e agora estão correndo atrás para descobrir onde estão as dragas. E nós parados aqui há 32 dias", reclama Luciano Rodrigues, diretor do órgão gestor da mão-de-obra do porto de Itajaí.

A assessoria de comunicação do porto de Itajaí também informou que nos próximos dias deverá estar concluído o berço zero, região de atracação das embarcações. Pronta a recuperação do canal, os berço zero e o quatro, que não foram atingidos pelas chuvas, serão responsáveis pelas operações parciais do porto para grandes atracações.

Foram destinados outros R$ 50 milhões que serão investidos no processo de preparação de um sistema de proteção ao porto de Itajaí para evitar novos danos em situações como as vividas por Santa Catarina diante do volume de chuvas registrado no mês passado.

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