Mais três cidades decretam situação de emergência por causa das chuvas em Minas Gerais

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte (MG)

O número de cidades que decretaram situação de emergência por causas das chuvas em Minas Gerais subiu de 53 para 56. As enchentes já causaram a morte de 22 pessoas e feriram outras 290 desde setembro. Duas pessoas estão desaparecidas em razão do temporal na noite de Ano Novo que causou destruição na região Oeste de Belo Horizonte e a morte de três pessoas.

Os municípios de Aguanil (Região Centro-Oeste), Itaguara (Região Central) e Santa Cruz do Escalvado (Zona da Mata) foram os últimos a integrarem a lista de cidades em situação de emergência, de um total de 96 localidades que sofreram danos.

Homens do Corpo de Bombeiros de Belo Horizonte reiniciaram na manhã desta sexta-feira (2/1) as buscas para localizar Maria do Rosário Ferreira e um homem ainda não identificado. Segundo a corporação, eles foram arrastados pela enxurrada e caíram dentro do rio Arrudas, que transbordou em vários pontos, na noite de quarta-feira (31).

Nesta quinta-feira (1º) foi enterrada Bianca Gabriela Antunes, de 3 anos, que morreu no bairro Santa Margarida. A casa onde ela estava foi inundada pela chuva da noite de Ano Novo.

Em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, o mesmo temporal afetou diversos bairros da cidade. Segundo a defesa civil, 100 pessoas ficaram desabrigadas e 500 desalojadas, foram levadas para casa de parentes ou vizinhos. A força das enxurradas que se formaram destruiu 15 casas e 100 ficaram danificadas.

A chuva da passagem do ano também trouxe destruição para outra cidade localizada no entorno da capital. Em Ribeirão das Neves, deslizamentos e inundações foram registrados em bairros da cidade. Aproximadamente 150 pessoas ficaram desalojadas e 4 casas foram destruídas, de um total de 35 moradias danificadas.

Em Belo Horizonte, as áreas mais atingidas foram o bairro Barreiro e o entorno da avenida Tereza Cristina, na região Oeste. O Rio Arrudas subiu 2 metros acima do nível da rua e inundou casas. A avenida está com trânsito interditado por causa da destruição do asfalto. As obras de recuperação devem demorar 30 dias.

A defesa civil está atendendo os moradores da região que sofreram danos com o temporal. O órgão ainda faz levantamento sobre imóveis que não poderão voltar a ser habitados.

Rede de drenagem de BH não é adequada
A rede de drenagem de Belo Horizonte, que deveria captar as águas da chuva e escoá-las de forma segura aos rios, em certos pontos da capital, não foi projetada para receber o volume de águas de fortes temporais, admitiu Claudius Vinicius Leite, diretor-presidente da Urbel (Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte). A empresa é responsável pela urbanização de vilas e favelas na cidade.

"Belo Horizonte foi atingida por uma chuva de grandes proporções. (Choveu) em torno de 120 mm, em apenas uma hora. Só para ter uma ideia, a gente considera uma chuva de grandes proporções aquela registrada em torno de 80 mm, ao longo de 24 horas. Os equipamentos de drenagem não são calculados para um tipo de chuva assim.", disse.

O prefeito Marcio Lacerda percorreu os pontos mais afetados na região ontem, após a cerimônia de posse. Ele disse que já sabia de problemas com a estrutura do sistema de drenagem do local e irá avaliar a situação. "Os técnicos já tinham me dito que a canalização do (rio) Arrudas, na Tereza Cristina, deveria ter sido feito com mais profundidade, com mais capacidade de escoamento. É algo que nós certamente precisamos examinar", informou.

Chuvas no Estado
A chuva continua castigando outras áreas do Estado de Minas Gerais. Segundo a Defesa Civil, na cidade histórica de Congonhas (Região Central), os bairros Basílica, Vila São Vicente e Alvorada foram afetados pela forte chuva no dia 31 de dezembro. Deslizamentos de terra destruíram uma casa, danificaram 10 e colocaram em risco outras 19 moradias. Ao todo, 24 pessoas ficaram desabrigadas e 80 desalojadas.

Na cidade de Tabuleiro (Zona da Mata), 20 pessoas estão desabrigadas e 50 desalojadas por causa de chuvas intensas no município, que destruíram 5 casas e danificaram outras 15. Algumas estradas rurais estão interditadas.

Desde que se intensificaram, em setembro do ano passado, as chuvas já deixaram 5.995 pessoas desabrigadas e 56.668 desalojadas em Minas Gerais. Destruíram 289 casas e danificaram outras 20.783. De acordo com a Defesa Civil Estadual, 280 mil pessoas foram afetadas.

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