Prefeito baiano assume cargo e encontra cobra coral embaixo de sua cadeira

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador (BA)

O advogado José Raimundo Láudano Santos (PMDB), 65, prefeito eleito de Almadina, no sul da Bahia, iniciou os trabalhos nesta segunda-feira (5) cercado de cuidados, temendo surpresas indesejáveis. Isso porque logo após a posse, no dia 2, José Raimundo encontrou no gabinete uma cobra da espécie coral venenosa, com cerca de 70 centímetros de comprimento, bem embaixo da cadeira do prefeito. Refeito do susto, o novo prefeito determinou inspeção rigorosa para apurar como a cobra apareceu no gabinete, que estava trancado à chave.

Esta é a quarta vez que José Raimundo Láudano Santos assume a prefeitura, embora não se trate de reeleição. O novo prefeito não quer falar sobre o assunto, nem apontar supostos culpados, e, segundo assessores, ficou bastante preocupado com o fato.

A posse se deu na noite do dia 1º, na Câmara Municipal. Não houve transmissão de cargo. O ex-prefeito, Williams Cunha Santana (PTB), adversário político de Láudano, não compareceu à cerimônia.

No dia seguinte, logo cedo, por volta das 7 horas, o prefeito e alguns assessores e secretários, entre eles o da Administração, Adalto Vieira, foram à sede da prefeitura para verificar as instalações, quando foram surpreendidos. A cobra foi morta e colocada em um recipiente com álcool, como forma de comprovação do corrido.

Conforme ainda a assessoria, Láudano fez questão de chegar acompanhado à prefeitura em razão de denúncias de irregularidades que recaem sobre a administração anterior, relacionadas ao uso indevido de verbas públicas federais, sobretudo nas áreas de saúde e educação. Essas denúncias levaram a Polícia Federal a incluir a cidade de Almadina na Operação Vassoura de Bruxa, deflagrada no dia 12 de dezembro, que incluiu trinta prefeituras do interior baiano, com o objetivo de apurar fraudes em licitações e desvio de verbas públicas federais no sul da Bahia.

Na ocasião, o Ministério Público Federal (MPF) e a Controladoria Geral da União (CGU) também participaram da ação. Foram cumpridos 116 mandados de busca e apreendido documentos, arquivos em mídia, R$ 50 mil e outras provas de diversas práticas de fraudes. Nenhum dos investigados foi preso pela operação, mas as investigações ainda estão em curso e alguns prefeitos e ex-prefeitos implicados nas denúncias estão sendo ouvidos pela PF. Os crimes sob apuração abrangem o período de 2002 a 2008.

O ex-prefeito Williams Cunha chegou a ser afastado do cargo, em maio do ano passado, juntamente com o seu vice, Valtencir Pinto dos Santos, por decisão da Comarca de Coaraci, acusado de compra de votos e abuso do poder político e econômico. Na sentença, a magistrada declarou a nulidade da reeleição de Williams Santana, que teve menos de 50% dos votos, e determinou a diplomação de Galileu Oliveira, segundo colocado. Uma decisão liminar, porém, garantiu o retorno de Williams Cunha ao comando municipal, cerca de uma semana depois.

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