Em 2008, país registrou maior número de mortes por raios da década

Elisa Estronioli
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizada às 12h45

O número de mortes por raios no Brasil em 2008 foi o maior da década. É o que revela um levantamento inédito do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat/Inpe).


Em 2008, 75 pessoas morreram ao serem atingidas por raios, contra 47 em 2007. O recorde anterior era de 73 mortes no ano de 2001. O número de raios no país em 2008 também foi maior que em 2007, superando 60 milhões.

Osmar Pinto Junior, coordenador do Elat/Inpe, atribui o recorde ao fenômeno meteorológico La Niña, que atuou no início do ano e provocou um índice maior de chuvas na região Nordeste, onde, normalmente, há pouca incidência de raios. "No Nordeste, principalmente nas zonas rurais, as pessoas não estão preparadas para se proteger dos raios, pois não é um problema muito comum".

A região, que, segundo Osmar, normalmente não registra mais de 10% das mortes, registou 32% dos casos de 2008, atrás apenas do Sudeste (39%). O Centro-oeste teve 9% das mortes e o Norte, 5%, índices bem inferiores.

No ranking por Estados, São Paulo vem em primeiro lugar com 20 casos, seguido por Ceará (7), Minas Gerais (6), Alagoas (6) e Rio Grande do Sul (5). "São Paulo tem a combinação de muitos raios com muitas pessoas", explica Osmar Pinto Junior.

Para 2009, Osmar prevê que o número de raios se mantenha nos níveis de 2008. "O La Ninã está se intensificando e a perspectiva é que tenhamos, no final de janeiro, um novo aumento de raios, que deve se prolongar por fevereiro e março". Neste ano, já foram registradas quatro mortes por raios, duas delas na Bahia.

Perfil dos casos
Em 2008, 61% dos casos ocorreram no verão e 23% na primavera. 83% foram ao ar livre e maioria das vítimas, 76%, era do sexo masculino. Do total de casos, 63% aconteceram na zona rural, 22% na zona urbana, 10% em rodovias e 5% no litoral. O cruzamento dos dados indicou que a maior incidência se deu entre homens adultos na zona rural (cerca de 30% dos casos).

A maioria dos atingidos por raio sofreram o acidente enquanto exerciam trabalho agropecuário no campo (19%). Outra circunstância significativa foi a proximidade com meios de transporte, como motos (17%). Porcentagem significativa das vítimas também estava dentro de casa (17%) ou perto, mas não no interior, de residências (12%).

Osmar Pinto Junior destaca duas situações: os primeiros casos no país de morte de pessoas falando ao celular dentro de casa com o aparelho ligado à rede elétrica (três casos, 4%) e o relativamente pequeno número de casos de pessoas atingidas jogando futebol (5%). "Acreditava-se que havia muitas mortes por raio jogando futebol. Mas o número não é tão significativo", diz Osmar.

Probabilidade
O Inpe informou que, em 2008, a chance de ser atingido por um raio no país foi de 1 em 2,5 milhões. Valores máximos desta probabilidade ocorreram em Alagoas e Tocantins (1 em 500 mil) e valores mínimos no Rio de Janeiro, Bahia e Pará (1 em 7,5 milhões). Em São Paulo, a chance foi de 1 em 2 milhões. E, sim, essas probabilidades são maiores que a de acertar na loteria com um palpite simples (1 em 50 milhões).

Apesar do recorde de 2008 e as previsões desanimadoras para 2009, Osmar ressalta que a situação já foi bem pior no passado: "Na década de 70, tínhamos cerca de 150 mortes por ano. Mas a urbanização e o aumento da conscientização contribuíram para a redução do índice", diz.

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