Lindemberg entrou para matar Eloá, diz Nayara

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias
Em Santo André (SP)

Em depoimento à Justiça nesta quinta-feira, a adolescente Nayara Rodrigues afirmou que Lindemberg Alves, quando entrou no apartamento onde fez Eloá Pimentel de refém, já tinha o objetivo de matá-la. Nayara disse também que foi ele quem a orientou a retornar ao apartamento e que o rapaz só atirou nas adolescentes após a invasão de policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar).
 

Lindemberg teve intenção de matar, diz promotor

O depoimento de Nayara, começou às 9h20 e terminou as 11h, no Fórum de Santo André, onde testemunhas de defesa e acusação prestam esclarecimentos sobre o crime. Lindemberg, que aguarda na carceragem do Fórum, deve ser o úlitmo a ser ouvido pelo juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri de Santo André, que pode decidir hoje se o réu irá a júri popular.

Em seu depoimento, Nayara afirmou que conheceu Eloá há menos de um ano e sabia do namoro dela com Lindemberg. Segundo ela, tratava-se de um relacionamento normal, mas ele costumava terminar de vez em quando e, em seguida, pedia para voltar. Daquela vez, entretanto, Eloá decidiu que não aceitaria reatar.

No dia do sequestro, Eloá e Nayara faziam um trabalho escolar com os colegas Iago e Vítor no apartamento da adolescente, em Santo André. Minutos depois de terem chegado, Lindemberg entrou no apartamento com a arma na mão e pediu que todos fossem para o quarto e se sentassem na cama de Eloá. Nayara afirma que Lindemberg deu coronhadas em Vítor e Iago e que entrou para matar Eloá, pois não admitia que ela não o aceitasse de volta.

Ainda segundo o depoimento de Nayara, Eloá e Lindemberg discutiam sobre o não-reatamento do namoro, enquanto Eloá pedia para que ele soltasse os outros, dizendo que o problema era apenas com ela. Nesse momento, chegou uma mensagem no celular de Eloá que irritou Lindemberg, que teria dito que, mesmo terminados, ela lhe devia respeito.
 

Nayara disse também que Lindenberg a considerava culpada pelo fim do namoro com Eloá. Nesse intervalo, Nayara conta ter presenciado cinco disparos dentro do apartamento, um contra a tela do computador, um contra o teto, um contra um policial e dois contra a multidão que acompanhava o desfecho do cárcere privado.

Volta ao apartamento
Sobre seu polêmico retorno ao apartamento onde estava Eloá, Nayara afirma que, após ter sido liberada, foi procurada por policiais que queriam que ela tentasse convencer Lindemberg a libertar Eloá pelo telefone. Então ela os acompanhou até o prédio de Eloá e foi orientada por Lindemberg ao celular a subir as escadas.

Nayara disse que Lindemberg prometeu que os três desceriam juntos mas, quando chegou à porta, viu que ele estava com a arma apontada para a cabeça de Eloá. Então, ele puxou Nayara para dentro do apartamento e não a libertou mais.

Desfecho
No último dia de cárcere, Nayara disse que estava deitada em um colchonete enquanto Eloá estava no sofá. Então, Lindemberg resolveu empurrar uma mesa para atrás da porta, a fim de impedir que alguém invadisse o local.

Pouco depois, Nayara afirma que escutou um barulho seguido de chutes na porta e não sabia se era um tiro ou uma bomba. Logo, a adolescente ouviu dois disparos no momento em que a porta se abriu e sentiu o rosto estranho. A adolescente afirma que foi tudo muito rápido, mas que olhou para trás a tempo de ver Eloá deitada e ensangüentada.

Nayara estava tranquila e não chorou durante o depoimento. Ela respondeu a todas as perguntas feitas pelo juiz, pelo promotor e pelos assistentes de acusação. Após Nayara, foi a vez de Vítor prestar depoimento.

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