No RS, estiagem afeta 272 mil pessoas em 52 cidades

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
De Porto Alegre (RS)

Mesmo com a chuva registrada no último fim de semana, a estiagem continua afetando extensas áreas do Rio Grande do Sul.

Pelo relatório da Defesa Civil, 272 mil pessoas estão sendo afetadas diretamente pela escassez de chuvas, e são 52 as cidades em situação de emergência - todas localizadas nas regiões Norte e Noroeste, fronteira com Santa Catarina. Mesmo assim, nenhum dos municípios atingidos pela seca precisou fazer racionamento de água até o momento.

O 8º Distrito de Meteorologia prevê céu nublado na região para os próximos três dias, com chuvas isoladas. O instituto estima precipitação forte somente no sábado, e mesmo assim apenas em algumas das cidades atingidas pela seca. Não há previsão de instabilidade prolongada do tempo.

Para a próxima semana, segundo o meteorologista Cléo Kuhn, a previsão é de tempo seco. "Em São Luiz Gonzaga, onde se concentram as medições da região, choveu até agora menos de 10% do esperado", diz.

Em Rondinha, primeiro município gaúcho a decretar situação de emergência no início de dezembro do ano passado, choveu em apenas oito dos últimos 38 dias - e ainda assim menos da metade do índice pluviométrico normal.


Clique e veja as cidades em estado de emergência



O tenente-coronel Joel Prates Pedroso, coordenador da Defesa Civil gaúcha, disse que a chuva dos últimos dias amenizou a situação em algumas áreas atingidas pela estiagem, mas não foi suficiente para dar tranqüilidade à população. "A perda nas lavouras é o maior prejuízo", contabilizou. Região de minifúndios, a área atingida pela estiagem planta principalmente milho e soja.

O governo gaúcho acenou nesta quinta-feira (8) com a possibilidade de investir US$ 800 milhões para a construção de microaçudes e cisternas que atenuem os efeitos prolongados de uma estiagem.

O secretário estadual de Irrigação, Rogério Porto, disse que serão captados recursos junto a organismo internacionais para a realização das obras. Os projetos, entretanto, estarão prontos apenas em junho.

Em dezembro, uma resolução da secretaria estadual do Meio Ambiente autorizou a regularização dos 164 mil micro-açudes existentes no Estado, que não podem ser utilizados devido à necessidade de outorga e licença ambiental. Do total, 33 mil são adequados para irrigação. "Isso representa a incorporação de um grande volume de água para atender aos problemas relacionados à seca", destacou o secretário.

O governo estima que entre 2007 e 2008 tenham sido abertos 713 poços artesianos para dar sustentação a algumas localidades historicamente atingidas por escassez de chuva nesta época do ano.

A estiagem no Rio Grande do Sul já causou a perda de pelo menos 1,6 milhão de toneladas de milho que seriam colhidas, quebra de 30% sobre a previsão de uma safra de 5,6 milhões de toneladas estimada pela Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul).

De acordo com o coordenador da Comissão de Grãos da Farsul, Jorge Rodrigues, muitas lavouras foram totalmente perdidas. "O replantio já está sendo realizado, mas em determinadas áreas o milho foi todo destinado à alimentação animal", relata. Em algumas plantações, as quebras chegam a 60% de acordo com a diretora-técnica da Embrapa (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), Agueda Mezzomo.

As perdas com a cultura de soja ainda não foram estimadas mas, segundo a Farsul, podem ser evitadas caso volte a chover de forma consistente nas próximas duas semanas. A Federação mantém a expectativa de uma safra de soja para o Estado em torno de 8,6 milhões de toneladas.

Segundo o secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, João Carlos Machado, cerca de 4.900 pedidos de vistoria para acesso ao Seguro Agrícola já foram solicitados à Emater desde a segunda quinzena de dezembro, período em que a seca começou a causar os primeiros danos às lavouras. A avaliação da Emater é de que até o final de janeiro o número de pedidos para seguro bata em 10 mil.

Machado disse que o Estado vai deslocar técnicos às regiões afetadas para que o fornecimento dos laudos aconteça o mais rápido possível, como forma de compensar os agricultores. O secretário minimizou os efeitos da seca. "A quebra [na produção] não deve ser significativa", avaliou.

Veja abaixo a lista das cidades em estado de emergência
Rondinha
Engenho Velho
Novo Xingu
Nova Boa Vista
São José das Missões
Constantina
Trindade do Sul
Victor Graeff
Liberato Salzano
Gramados dos Loureiros
Cristal do Sul
Iraí
Nonoai
Novo Barreira
Rio dos Índios
Boa Vista das Missões
Barra Funda
Novo Tirandentes
Rodeio Bonito
Três Palmeiras
Seberi
São Pedro das Missões
Sagrada Família
Pinhal
Maximiliano de Almeida
Cerro Grande
Planalto
Lajeado do Bugre
Alpestre
Aratiba
Jaboticaba
Humaitá
Sete de Setembro
Severiano de Almeida
Marcelino Ramos
Fortaleza dos Valos
Coronel Bicaco
Barra do Rio Azul
Mariano Moro
Ponte Preta
Viadutos
Roque Gonzales
Machadinho
Cerros Largo
Campinas do Sul
Três Arroios
Alecrim
Gaurama
Erval Seco
Cruzaltense
São Nicolau
Santo Antônio das Missões

Fonte: Defesa Civil do RS

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