Brasileiros são mortos em caçada na Argentina

Luiz Nunes
Especial para o UOL Notícias
Em Florianópolis (SC)

A Polícia Civil de Santa Catarina ainda não tem pistas sobre quem matou dois brasileiros que cruzaram a fronteira com a Argentina para uma caçada. Um terceiro caçador está desaparecido. Há suspeita de que também esteja morto e o corpo tenha sido jogado em um rio.

O trio saiu de Itapiranga, no Oeste de Santa Catarina, no dia 26 de dezembro. Os corpos foram encontrados esta semana, próximo ao acampamento que fizeram. Aproveitando a baixa do rio Peperiguaçu, comum nesta época do ano, muitos moradores o atravessam e cruzam a fronteira para caçar ou extrair madeira ilegalmente - uma vez que a área do país vizinho é uma reserva florestal.

Os irmãos Ademir e Sérgio Luft e o cunhado deles, Raimundo Clem, tinham o objetivo de retornar da caçada três dias depois de deixarem suas casas. Sem notícias após esse período, a família procurou a polícia.

Com autorização do governo argentino, dias depois, familiares fizeram buscas pelo local - há 20 quilômetros da fronteira com o Brasil - e localizaram os corpos dos irmãos Luft, terça-feira (6), mas os deixaram na mata. Havia perfurações de tiros no peito e no rosto de Ademir. O corpo de Sérgio estava mutilado.

A irmã deles, Rosane Luft, teme que seu marido, ainda desaparecido, tenha tido o mesmo fim. "A gente tem esperança de que seja encontrado com vida, mas, pelo que fizeram com os meus irmãos, é difícil", lamenta, lembrando que as vítimas não tinham inimigos.

Pelas marcas próximas ao leito do rio, os familiares que encontraram os corpos acreditam que Clem tenha sido morto e jogado correnteza abaixo. "Está todo mundo sem chão. É muito triste. O que fizeram não se faz com animal", diz Rosane.

Segundo a polícia, há três anos, um parente dos Luft foi morto próximo ao local, em circunstâncias ainda não esclarecidas. Ele estava caçando também em solo estrangeiro e teria sido atingido por um policial argentino em uma das pernas, morrendo de hemorragia, em seguida.

Segundo o delegado Ricardo Casagrande, de Itapiraga, ainda não há linha de investigação definida. "Não tivemos contato com a força-tarefa argentina - integrada por um policial brasileiro - para ter outros detalhes. Só tenho as primeiras informações da família", diz. A polícia argentina também investiga o caso.

A família não acredita que tenha havido envolvimento da corporação do país vizinho no crime. "Eles nos garantiram que não entraram em confronto e estão dando apoio", aponta Rosane, sobre os policiais.

Segundo ela, ainda não há planos para deixar o local de fronteira. Por ora, a prioridade é outra. "Queremos receber os corpos e enterrar. Depois, vemos o que fazer."

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