Seis pessoas morreram por dia na Região Metropolitana de Salvador (BA) em 2008; número é 38% maior que o de 2007

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador (BA)

O número de homicídios em Salvador (BA) cresceu 38% em 2008 em comparação com o ano de 2007. Em média, seis pessoas foram mortas por dia na Região Metropolitana de Salvador. Balanço apresentado pela Secretaria de Segurança Pública mostra que a capital baiana registrou 1.720 homicídios em 2008 contra 1.341 registros no ano anterior. Em 2006, os registros apontam 1.223 mortes violentas na capital.

Na Região Metropolitana de Salvador, o número de homicídios alcança 2.189, 31,5% a mais que em 2007, quando ocorreram 1.665 mortes violentas. Nos nove primeiros dias deste ano, o número de homicídios em Salvador e Região Metropolitana chegou a 62 registros, o maior desde 2005.

Chacinas
Na capital baiana, porém, chamou ainda mais a atenção as chacinas ocorridas no ano passado, entre elas o assassinato de sete pessoas em um bar no bairro de Mussurunga, periferia da cidade, no dia 7 de junho. Três dias depois, outras quatro pessoas foram executadas no bairro Alto das Pombas. Segundo a polícia, os casos foram motivados por confronto entre gangues rivais na disputa por ponto do tráfico de drogas.

No dia 6 de junho, outra ação criminosa levou pânico ao bairro do Garcia. Disparos contra um bar mataram uma pessoa e deixaram outras seis feridas, entre elas um policial militar. Doze dias depois, quatro jovens foram executados no bairro da Paz, por cerca de dez homens armados. Outros dois jovens foram mortos, pouco depois, no bairro Engenho Velho da Federação.

Reação à ação policial
O secretário César Nunes credita o aumento no registro dos homicídios à disputa do tráfico de drogas, e uma reação às ações de combate a essa modalidade de crime que o governo vem adotando.

Em setembro, para conter o avanço da violência, foi lançado o programa "Ronda nos Bairros", começando por Tancredo Neves, considerado uma das áreas mais violentas de Salvador. De acordo com dados da SSP, o local liderou o ranking de homicídios em 2007, com 93 assassinatos no primeiro semestre, respondendo por 16% das ocorrências de toda a cidade.

Para Nunes, entre 80 e 85% dos homicídios originam-se no tráfico de drogas. Ele observa que após a prisão de alguns dos principais líderes do tráfico na Bahia, a guerra entre as gangues se intensificou. "Os terceiro e quarto escalões dessa atividade criminosa começaram a agir em busca do domínio do tráfico, gerando toda essa violência", explica.

Mais investimentos
O secretário geral do Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindipoc) Bernardino Gayoso, concorda com a avaliação do secretário, mas ressalta a necessidade de maior investimento no setor, sobretudo na área de inteligência. "Sentimos os reflexos do aumento da violência, inclusive sobre a polícia. Em 2008 foram 40 policiais assassinados, oito deles civis. Temos caso de colega que trabalha na Delegacia de Homicídios que está dormindo no local de trabalho por estar sob ameaça no bairro onde mora. Não podemos viver assim", diz.

Bernardino cita como exemplo a ser seguido os investimentos realizados pelo governo federal na Polícia Federal, que resultaram num aumento de prestígio da categoria diante da população brasileira.

'Que tombe do lado de lá'
O secretário gerou polêmica ao declarar nesta semana que "a violência que aí está é que gerou justamente esse maior número de autos de resistência. Os bandidos estão enfrentando mesmo. Ou nós partimos para cima... não podemos nos acovardar. Partimos para cima sempre, com segurança, com a certeza de estarmos cumprindo as leis. Porque, se tem que tombar, que tombe do lado de lá, não vai tombar do nosso lado, não. Que tombe do lado dos bandidos, mesmo. E a polícia não se acovarda, não, a gente está partindo para cima mesmo".

A professora universitária Tânia Cordeiro, do grupo gestor do Fórum Comunitário de Combate à Violência, concorda que é importante o Estado não se acovardar, mas preocupa-se se isso vai produzir mais violência. "Quando ele falou 'que tombe do outro lado', pode sugerir uma espécie de licença para matar. O dever do Estado é preservar a vida", advertiu, completando: "Se houver medidas contra o tráfico, podemos reduzir os índices de homicídios".

Maior crescimento entre as capitais
Já o deputado Álvaro Gomes (PCdoB), da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa diz que o secretário está correto quando diz que tem que ter coragem para combater o crime. "Precisamos de medidas, pois entre 2000 e 2005, o número de homicídios em Salvador cresceu 252%, o mais alto índice desse período entre as capitais no País", afirma.

O professor universitário Carlos Costa Gomes, coordenador do Observatório de Segurança Pública da Unifacs sugere um trabalho coordenado "para evitar que a população corra riscos". "Ele usou a expressão 'partir para cima' como estímulo para os subordinados continuarem trabalhando, não como uma posição política", explicou.

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