PMs envolvidos na morte do menino João Roberto são expulsos da corporação

Do UOL Notícias* Em Sâo Paulo

Os policiais militares envolvidos na morte do menino João Roberto em julho do ano passado, no Rio de Janeiro, foram expulsos da corporação. O cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalves Costa Neto foram submetidos a um Processo Administrativo Disciplinar, que "observou minuciosamente a atuação de ambos na ocorrência que culminou na morte de João Roberto, concluindo que os dois não estão mais capazes de exercer a função de policial militar", segundo nota da PM. João Roberto foi morto por tiros disparados pelos policiais que teriam confundido o carro da família com o veículo de criminosos.
  • Reprodução/Folha Imagem

    O carro onde estava o menino João Roberto Amorim, 3 (foto), foi atingido por cerca de 17 disparos feitos por policiais militares na noite do dia 6 de julho


Teoricamente, quem ainda não tem dez anos de serviço, como o soldado Elias Gonçalves Costa Neto, é considerado licenciado e não expulso. Mas, na prática, conforme informou a PM, os dois policiais não integram mais os quadros da corporação. A decisão foi publicada no Boletim da Polícia Militar da última sexta-feira.

William de Paula foi absolvido do homicídio no último dia 11 de dezembro pelo Tribunal do Júri. Os jurados entenderam que o policial agiu no "estrito cumprimento do dever legal". Na época, a decisão causou indignação nos familiares do menino, no Ministério Público e em entidades civis.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, também criticou duramente a absolvição e afirmou que o policial deveria ser punido pela própria corporação. "Ele (William) não serve para ser policial militar, nem para o serviço administrativo", afirmou Cabral na época.

O advogado do policial, Maurício Neville, afirmou que entrará com uma ação declaratória de nulidade absoluta contra a decisão da Polícia Militar. "Essa expulsão aconteceu para dar satisfação ao governador", disse Neville. "Esse é um processo administrativo que corre paralelo à ação penal, mas são interligados. O policial só pode ser expulso se for condenado à quatro anos ou mais", ressaltou.

Elias Gonçalves Costa Neto ainda não foi julgado e a reportagem do UOL não conseguiu localizar o policial.

O crime
João Roberto foi morto em julho, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, quando o carro em que estava com a mãe e o irmão foi alvejado 17 vezes por policiais militares. Os policias disseram que confundiram o carro com o de bandidos, durante perseguição.

A mãe de João Roberto contou que chegou a jogar uma bolsa de criança para fora do carro como forma de indicar que havia inocentes no veículo, mas o filho já havia sido atingido por um projétil.

A juíza concedeu o pagamento de tratamento psiquiátrico para os pais, o irmão e os avós da criança assassinada.

* Com informações do UOL Notícias, no Rio de Janeiro, e da Agência JB

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