Polícia abre inquérito para investigar restos humanos em hospital no AM

Em Manaus (AM)

A Polícia Civil do Amazonas instaurou, na terça-feira (13), um inquérito para investigar a origem das amostras de tecidos humanos encontradas em duas salas do hospital regional de Humaitá, no interior do Estado, no início do ano. De acordo com a atual diretora da unidade, Vanilce Mendonça Freire, mais de 200 pedaços de corpos humanos ainda estão sendo catalogados.

A diretora do hospital explica que as amostras foram localizadas assim que a nova administração da unidade tomou posse. Ao fazer uma vistoria pelas salas do hospital, foram encontrados pedaços de órgãos humanos como vesículas, ovários e até úteros. O material estava acondicionado de maneira precária em frascos de vidro cheios de formol. Alguns frascos, conta Vanilce, eram potes de maionese improvisados.

A diretora diz que além dos órgãos havia pedaços de tumores que foram retirados de pacientes para que fossem submetidos a exames de biópsias. Entretanto, como a estrutura de saúde do município é precária, o material deveria ter sido enviado a Manaus, o que não ocorreu. "A gente ainda não sabe porque esse material não foi mandado para Manaus. O fato é que tem paciente que morreu sem saber se tinha ou não câncer. Isso é um absurdo", disse.

A atual secretária municipal de Saúde de Humaitá, Lenilza Sá Cremonez, encaminhou a denúncia ao Ministério Público Estadual (MPE) na última semana. A instituição solicitou que a Polícia Civil instaurasse um inquérito. Os ex-secretários municipais de Saúde e ex-diretores do Hospital Regional da cidade deverão prestar depoimentos.

A ex-diretora da unidade, Vânia Maria Frozzi, sugeriu que as amostras não teriam sido enviadas a Manaus por não se tratarem de exames custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Não tenho conhecimento total do assunto, mas acredito que se trate de material de exames de pacientes de baixa renda e cujos exames não eram pagos pelo SUS", tentou explica Frozzi.

Apesar da explicação da ex-diretora, o vice-prefeito de Humaitá, o médico Renato Pereira Gonçalves, discorda. Segundo ele, não há justificativa para que as amostras não tenham sido enviadas a Manaus. "Todos os exames de biópsia são pagos pelo SUS. Não existe razão alguma para que esse material não tivesse sido mandado a Manaus. O que aconteceu aqui (Humaitá) foi um verdadeiro genocídio", desabafou.

A atual diretora do hospital, Vanilce Mendonça Freire, disse que sua equipe está fazendo uma triagem nas amostras para saber quais delas ainda estão aptas a exames. "Elas estavam guardadas de forma muito precária. Não tem como garantir que todas ainda possam ser examinadas, mas vamos fazer o possível", disse.

O ex-prefeito de Humaitá, Roberto Rui Guerra, e seu ex-secretário municipal de Saúde, Joel Guerra, foram procurados pelo UOL para falar sobre o assunto, mas não foram localizados.

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