Inexpressivo no futebol, AM quer gastar R$ 6 bi para ser sub-sede da Copa 2014

Leandro Prazeres
Especial para o UOL Notícias
De Manaus (AM)

Mesmo sem ter um time na primeira, segunda e terceira divisões do futebol brasileiro, o Estado do Amazonas lançou, na quarta-feira (14), um projeto de R$ 6 bilhões em obras caso a cidade seja escolhida como uma das sub-sedes da Copa de 2014.

O anúncio das cidades-sede será feito em março, mas mesmo assim, o Governo do Amazonas já gastou R$ 700 mil com os primeiros projetos arquitetônicos que incluem intervenções viárias e a construção de um moderno estádio com teto retrátil.

O projeto apresentando pelo governador Eduardo Braga (PMDB) será encaminhado à Fifa nesta quinta-feira (15), último dia para as cidades que pretendem sediar jogos da Copa enviar suas propostas. Manaus disputa a vaga de sub-sede da Copa com Belém (capital do Pará) e Rio Branco (capital do Acre). Além do "pacote" de obras, Braga enfatizou que o projeto amazonense terá como foco a temática ambiental. As emissões de carbono durante os jogos, segundo o governador, serão neutralizadas e o estádio onde ocorrerão as partidas será abastecido com energia de fontes alternativas, como o gás natural e a energia solar.

Atualmente, o principal estádio da cidade, o Vivaldo Lima (conhecido como 'Vivaldão') tem capacidade para apenas 33 mil espectadores e, de acordo com o novo projeto, o estádio terá de ser totalmente reconstruído.

O projeto prevê a construção de um teto retrátil semelhante ao dos estádios europeus. A cobertura será feita de forma a simular um cesto de palha e as escamas de répteis para lembrar a fauna amazônica. "O nosso projeto procura traduzir as imagens do Amazonas e da Amazônia para o mundo", explicou Ralf Amann, gerente da GMP (Gerkan Marg und Partner), empresa alemã especializada na construção de estádios e arenas esportivas. Além de jogos, o estádio poderá sediar shows e outros eventos esportivos.

Durante o lançamento, o governador não informou qual será a participação do Poder Público e da iniciativa privada nos custos das obras. O que se sabe, até o momento, é que o Governo Federal irá bancar parte das intervenções viárias por meio de verbas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Mobilidade. Segundo Braga, as empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa se comprometeram a fazer parte dos investimentos.

Rebatendo futuras críticas, Eduardo Braga pediu que o "povo e a imprensa" se unam em prol da candidatura de Manaus. "Não é hora para fazer críticas. É hora de nos unirmos para conseguirmos ser sede da Copa", disse Braga.

Contraponto
Se para o Amazonas a Copa de 2014 poderá custar R$ 6 bilhões, para o seu principal concorrente, o Pará, os custos estão orçados em pouco mais de R$ 70 milhões. De acordo com a governadora Ana Júlia Carepa, o baixo valor se deve ao fato de que a maior parte das instalações do estádio Mangueirão, o principal de Belém, atendem em 70% as exigências da Fifa.

Questionado sobre a funcionalidade de um estádio tão moderno em uma cidade cujo futebol é fraco, Ralf Amann disse que o novo 'Vivaldão' foi concebido para abrigar outros atrativos como lojas de conveniência.

A última vez em que o Amazonas teve um time na primeira divisão do futebol brasileiro foi em 1986 com o clube Nacional. Na época, o acesso à elite do futebol era feito por meio de convite.

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