Lojistas e consumidores aprovam padronização das medidas no vestuário

Da Agência Brasil

A aplicação de uma padronização das medidas de roupas vendidas no Brasil, anunciada hoje (15) pela Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), agrada consumidores e também vendedores. A expectativa é que a mudança facilite a compra e evite futuras trocas de produto.

O comerciante Gilson César Oliveira, da Feira do Guará, em Brasília, diz que a diferença nas numerações costuma atrapalhar as vendas. "Sempre tem alguma diferença no padrão de uma marca para outra. Se os modelos tiverem o mesmo tamanho, vai melhorar muito. Espero que todas as confecções entrem no padrão."

A primeira fase de aplicação da padronização das medidas começará na produção de meias, que agora seguirão um molde específico. A vendedora Samira Gonçalves conta que a falta de um padrão no tamanho dessas peças é motivo constante de reclamação. Muitas vezes, a embalagem traz apenas a especificação "tamanho único".

"Peças íntimas e meias a gente não pode trocar. Então, é comum recebermos reclamações de clientes porque a peça não serviu. Dá muita diferença na numeração, até porque o tamanho dos pés é diferente. Com essa mudança, melhora demais", comenta.

A psicóloga Maria Correa reclama que sua maior dificuldade é na hora de comprar calças. "Cada vez que eu vou comprar, visto um número diferente. Eu já fui 42, agora eu compro 40 e 38. Ou seja, não tem um padrão para o brasileiro. Essa mudança é positiva e já devia ter sido feita antes."

Com tantas diferenças no padrão e numeração das peças de vestuário produzidas no Brasil, muitos consumidores recorrem à troca dos produtos. A técnica em radiologia Geralda Bispo diz ter muita dificuldade com os tamanhos diferentes. "A gente compra, mas nunca tem certeza se vai servir, várias vezes eu já tive que trocar uma roupa porque ficou maior ou menor do que o previsto", explica.

A coordenadora da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, Maria Inês Dolci, lembra que a troca só é garantida pelo Código de Defesa do Consumidor em caso de defeito no produto. "Ele não tem esse direito no caso do tamanho, a não ser que no momento da compra tenha sido garantida a ele essa possibilidade", esclarece.

Para Maria Inês, a padronização das medidas será importante não só para o consumidor brasileiro. "Facilita também a questão da exportação. Muitos países já adotam medidas diferentes das que temos aqui. Ao longo das últimas décadas, o biotipo do brasileiro mudou e algumas pessoas tem dificuldade na hora do compra", avalia.

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