Metalúrgicos protestam em São Bernardo do Campo contra demissões no setor

Da Agência Brasil
Em São Paulo (SP)

Cerca de 7.000 metalúrgicos, segundo estimativa da Polícia Militar, participaram na manhã de hoje (20) de uma manifestação ao lado da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, realizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). O objetivo dos sindicalistas foi o de apresentar à categoria uma agenda de combate ao desemprego e à crise e denunciar que a proposta dos empresários de reduzir a jornada de trabalho e o salário é inviável para o país.

Segundo o presidente do sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, a redução da jornada de trabalho e do salário é uma medida repressora e faz com que, com a receita menor, os trabalhadores comprem menos e assim se desencadeia um processo de redução também da produção industrial, o que pode gerar mais desemprego e crise. "Nós já atravessamos crises piores do que essa e ao invés de ficar discutindo idéias que desagreguem os atores temos que fazer uma discussão setorial".

Nobre informou que amanhã (21) se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para propor medidas que aqueçam a economia e evitem as demissões previstas em diversos setores. Segundo ele, os metalúrgicos proporão ao presidente que o governo adote medidas que facilitem o crédito, a redução da taxa de juros e do spread bancário, a criação de políticas de incentivo às exportações, redução dos preços, ampliação do mercado interno, formação profissional e a manutenção do emprego.

"Vou propor ao presidente Lula que os setores econômicos se reúnam com a presença do Estado para que possamos fazer uma discussão positiva, que junte os atores e não aponte para a retirada de direitos dos trabalhadores nem para onerar os cofres públicos", disse Nobre.

O sindicalista reforçou que ainda não se sabe o tamanho da crise, o que só ficará mais claro no final do primeiro trimestre e, por isso, não há necessidade de os empresários demitirem neste momento. "Eles vêm de cinco anos consecutivos de recorde de produção, de venda e faturamento. Nos outros países só se vai falar de demissão depois de um ano de crise. Fechamos o ano de 2008 com crescimento econômico e muitos setores cresceram e 15 dias depois falam em reduzir salário e demitir". Na avaliação dele, aqueles que defendem a redução de jornada e salário estão contra o país.

Nobre disse também que, mais do que pela crise, as demissões vão acontecer por falta de responsabilidade social dos empresários e porque as demissões estão muito baratas no Brasil. "O empresário faz uma continha simples de quanto custa manter um trabalhador pelos próximos três meses e quanto custa demitir agora e contratar outro depois de três meses por metade do salário. É isso que está acontecendo e aí jogam a culpa na crise".

O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, afirmou que a entidade continuará cobrando dos governos estaduais e federal medidas de desoneração da carga tributária em troca de garantia de emprego, como contra-partida das empresas que forem beneficiadas. Ele enfatizou que a CUT é contra a redução da jornada de trabalho e salário porque esse tipo de medida vai contra todos aqueles que acreditam que o Brasil pode superar a crise. "A saída da crise é justamente emprego e renda. É isso que vai garantir que a economia continue crescendo".

Henrique reafirmou que a CUT estará junto das centrais sindicais que lutarem pelo emprego e renda e que aquelas que estão aceitando negociar desemprego e queda na renda dos trabalhadores não terão o apoio da CUT. "Vamos combater e resistir com a luta e mobilização dos trabalhadores". Para ele, as medidas que o governo vem tomando desde o final do ano passado são importantes, no entanto são insuficientes. "Nós estamos cobrando que é preciso ter contrapartida dos empresários, que estão sendo beneficiados pelo empréstimos dos bancos públicos ou pela redução de impostos".

Ao mesmo tempo em que ocorriam as manifestações em São Bernardo do Campo, cerca de 700 metalúrgicos da empresa Delga realizaram assembléia e decidiram entrar em greve na manhã de hoje, em função da demissão de 120 funcionários. Segundo a assessoria de imprensa do sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi, a empresa já havia concedido licença remunerada, férias coletivas e alega não ter mais como manter o quadro de funcionários.

Na empresa Basso Componentes, 48 funcionários da produção começam a cumprir o acordo de suspensão do contrato de trabalho negociado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo com a empresa, e aprovado pelos trabalhadores, para garantia do emprego. A assessoria de imprensa do sindicato informou que o acordo vai vigorar por cinco meses e dá estabilidade no emprego por três meses após a volta ao trabalho. Neste período, os trabalhadores vão receber o seguro-desemprego e o complemento salarial pela empresa, além de cesta básica, convênio médico e odontológico.

Na Tyco, os 160 funcionários, que foram demitidos por conta do encerramento das atividades na unidade em São Paulo, que invadiram a fábrica ontem, continuam dentro da fábrica. O sindicato tenta negociar o pagamento de todos os direitos trabalhistas, além de benefícios. Os trabalhadores esperam a resposta da sede da empresa nos Estados Unidos.

Segundo comunicado oficial da Tyco, a produção continua na unidade de Caxias do Sul (RS), com a previsão de criação de 40 novos empregos. A central de vendas permanece em São Paulo, com 30 funcionários. "No comunicado formal aos empregados sobre o fim das operações da unidade de São Paulo, a Tyco garantiu a todos os funcionários o pagamento de seus direitos e haveres, conforme a legislação brasileira e que os valores devidos serão depositados dentro dos prazos legais. Em resposta a pedidos de benefícios adicionais, além daqueles garantidos pela legislação brasileira, a companhia irá reunir-se com os representantes do sindicato para debater a proposta", diz o comunicado.

De acordo com a diretoria da empresa "a decisão de concentrar a produção na unidade de Caxias do Sul proporcionará uma redução significativa de custos operacionais para a empresa e para seus clientes, permitindo que a companhia enfrente os desafios da atual crise econômica".

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