Belo Horizonte-MG está sob risco de epidemia de dengue

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte (MG)

A capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, e sua Região Metropolitana correm o risco de enfrentar uma epidemia de dengue em razão das intensas chuvas que atingem a região desde o final do ano passado. Com as cheias, criaram-se muitos ambientes propícios à reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, em moradias da capital.

Informações coletadas por agentes de saúde da prefeitura da capital em casas das 9 regiões que compõem a cidade mostram índice geral de infestação larvário (estágio inicial do desenvolvimento do mosquito) em torno de 3,9%. Ou seja, a cada 100 moradias, quase 4 quatro domicílios apresentaram focos da doença.

Na maioria dos casos, o Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), feito pela prefeitura trimestralmente, apontou que objetos deixados a céu aberto sem proteção contra a chuva, como garrafas pets, seguidos dos pratinhos que retém água de vasos de plantas e pneus são os locais preferidos pela fêmea do mosquito para depositar os ovos.

O Ministério da Saúde indica que uma infestação larvária superior a 4% apresenta risco de epidemia. O levantamento que serve de balizador para a detecção do índice é feito três vezes ao ano, informou a prefeitura.

Algumas regiões da cidade podem ser consideradas sob risco alto de epidemia, como o caso de Venda Nova, onde moram cerca de 250 mil pessoas. O bairro da Região Norte da capital apresentou 5,7% de manifestação larvária. As regiões Leste (4,8%) e da Pampulha (4,5%) também apresentaram porcentagens preocupantes.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, no mesmo período do ano passado foram registrados 1,9% de imóveis com incidência de larvas na capital. Em 2008, haviam sido detectados 12.823 casos da doença somente em Belo Horizonte, três pessoas morreram. Neste ano, o órgão confirmou que 206 casos estão sob avaliação.

O titular da pasta, Marcelo Teixeira, disse que os domicílios são responsáveis por mais de 50% de criadouros para o mosquito. A prefeitura informou ter alocado R$15 milhões para o combate da doença nesse ano.

Ele se reuniu com colegas de algumas cidades da região metropolitana nesta quinta-feira (22) para traçar um plano de combate mútuo ao mosquito transmissor.

Em Vespasiano (28 km de BH), a situação é crítica. O índice registrado pela Secretaria Municipal de Saúde foi de 7,7%.

Combate ao Mosquito
Apesar de haver campanhas voltadas para o combate ao mosquito e do didatismo dos folhetos distribuídos à população, a proliferação dos criadouros das larvas ainda é alta. Além da temporada de chuvas, que se estende até abril, o número da população do Aedes aegypti poderá aumentar nesses meses de verão, devido ao calor e à umidade, cenário ideal para a eclosão dos ovos.

Segundo pesquisa da secretaria, apesar de a população se mostrar bem-informada, lixo, pratinhos e jarros de plantas e pneus continuam como locais campeões de incidência das larvas.

Nos próximos meses, 1.200 agentes vão vistoriar e monitorar cerca de 800 mil residências com a finalidade de diminuir as condições para a reprodução do transmissor. Outra medida, em vigor desde 2007, é a autorização do arrombamento de casas onde os agentes não conseguem entrar. O proprietário que não atender à solicitação de abertura do local, extinguido o prazo legal dado pela prefeitura, pode ser multado em R$ 6.201,00.

Desde o dia 8 deste mês, os funcionários podem também entrar em lotes vagos cercados por muros ou cercas para fazer a limpeza. Nesse caso, a multa varia de R$ 109,55 a R$ 3.286,44 para donos que não fazem a capina ou limpeza dos locais.

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