Demolição de templo da Renascer para e deve recomeçar amanhã

Daniela Paixão
Do UOL Notícias
Em São Paulo

(Atualizada às 18h14)

Teve início por volta das 16h desta sexta-feira (23) a demolição das paredes do templo da Igreja Renascer que desabou no domingo (18), causando a morte de nove pessoas e deixando mais de cem feridas, na avenida Lins de Vasconcelos, bairro do Cambuci, zona sul de São Paulo.

Os trabalhos foram, no entanto, suspensos depois de alguns minutos e poucas marretadas dos operários que estavam no local. Serão retomados amanhã às 7h, segundo o perito criminal José Manoel Dias Alves. O Corpo de Bombeiros já deixou o local.

Ao começarem a demolição, a equipe percebeu que o guindaste, até então com alcance de 60 metros, precisaria de mais um braço de dez metros, de acordo com o perito.

"O planejamento foi feito, mas, na hora em que você vai fazer, a coisa muda de figura", disse Alves. "Ventou muito nesta tarde, e isso também atrapalhou", acrescentou.

A demolição deve seguir plano apresentado pela igreja na quarta (21) ao Ministério Público de São Paulo, como parte de um acordo para garantir a integridade de casas no entorno e permitir o trabalho dos peritos do Instituto de Criminalística, que estavam interrompidos por risco de novos desabamentos.

Pelo plano, o serviço é praticamente artesanal. Dois profissionais são içados em uma gaiola por um guindaste e retiram tijolo por tijolo a parede que apresenta risco de desabar, que fica ao lado direito da fachada do templo. O trabalho, previsto para começar ao meio dia, sofreu atraso por causa do afundamento do chão onde estava o guindaste. A Renascer se comprometeu a indenizar eventuais danos causados pela demolição.

Enquanto a empresa contratada realiza o trabalho, que não tem prazo para terminar, a polícia técnica já deu início à perícia no local. Segundo o perito criminal José Manuel Dias Alves, o ponto de partida vai ser a reconstrução da chamada "tesoura", estrutura responsável pela sustentação do teto, no estacionamento ao lado da igreja. As peças serão montadas, fotografadas e analisadas, e devem compor um laudo sobre possíveis causas do acidente.

A demolição deve ocorrer de segunda a sábado, das 7h às 17h. O trânsito permaneceu, nesta sexta-feira, liberado no local. O trabalho poderá ser interrompido em caso de chuva, dependendo da intensidade.

Apreensão dos moradores e trabalho da polícia
Ao todo, nove casas continuam interditadas ao redor da igreja. Os moradores evitam falar, mas mostram apreensão. Segundo a enfermeira Soraya Ayub Moregola de Oliveira, 44, parte do muro da igreja caiu sobre a casa de seu pai no domingo, que está interditada. "Quem pode garantir pra gente que esse muro não vai cair? Os engenheiros falam, mas quem garante?".

O subprefeito da Sé, Amauri Pastorello, que esteve no local nesta sexta, afirmou que os responsáveis pela igreja já entregaram documentos contendo informações sobre o projeto e as reformas realizadas.

Inquérito corre na 1ª Delegacia Seccional de São Paulo. Testemunhas devem prestar depoimento para dar suas versões sobre o acidente. A polícia afirma que um dos depoimentos fala sobre a existência de goteiras no teto, que já chegou a ser interditado há dez anos. Em nota, a igreja afirma que o telhado era seguro.

Em nota divulgada na quarta, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) informa que encaminhou à 1ª Delegacia e à Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo todos os relatórios técnicos emitidos em 1999 e 2000, relativos ao teto da igreja, mas que não teve acesso ao local desde aquela época, quando apresentou uma série de recomendações para a conservação do telhado.

Veja como era e como ficou a igreja após o desabamento


Mais imagens da igreja original

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