Obras para acabar com enchentes em Belo Horizonte-MG e Contagem devem demorar

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte (MG)

Apesar de os prefeitos de Belo Horizonte e Contagem terem anunciado nesta sexta-feira (23) medidas emergenciais para as famílias atingidas pela cheia do ribeirão Arrudas no fim da tarde de ontem, obras definitivas para diminuir a possibilidade de enchentes na região ainda devem demorar. Alguns bairros e vilas das duas cidades que ficam às margens do ribeirão foram inundados e uma pessoa morreu na região do Barreiro, em Belo Horizonte.

Segundo a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que iniciou seu segundo mandato neste ano, é necessária a construção de uma barragem no córrego Ferrugem, afluente do Arrudas, para minimizar o problema. Ela vistoriou as vilas Dom Bosco e São Paulo nesta sexta-feira e admitiu a falta de dinheiro para a obra. No local, 110 pessoas ficaram desalojadas e 25 desabrigadas, segundo a defesa civil municipal. Uma ponte ruiu e a força das águas destruiu casas e ruas.

As duas vilas também haviam sido atingidas pelo temporal da virada do ano que matou cinco pessoas em Belo Horizonte. Os moradores ainda tentavam se recuperar dos prejuízos."O Estado anunciou hoje que nos próximos dez dias começará a licitação do projeto para a bacia do (córrego) Ferrugem e, a partir disso, vamos articular recursos porque a obra da bacia está estimada em R$ 160 milhões", disse.

Ela anunciou ajuda emergencial aos atingidos pelo temporal por meio de bolsa moradia (valor de R$ 244 para pagamento de aluguel) e a remoção de famílias às margens do ribeirão, que serão encaminhadas para abrigos da prefeitura.

Marília Campos afirmou ter decretado, há dez dias, situação de emergência na região para as famílias poderem receber parcela do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e começarem a reconstruir suas casas.

Na vila São Paulo está em andamento desde outubro do ano passado obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que pretende construir apartamentos para abrigar famílias em situação de risco da região. A conclusão da obra está prevista para o final de 2011.

Licitações para obras em BH começam em fevereiro
O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), disse haver cronograma para obras de contenção em dois córregos da região do Barreiro, o bairro mais atingido pelo temporal de ontem. Apesar de ter anunciado que as intervenções começam já em fevereiro, em pelo menos uma delas o recurso ainda não está disponível.

Ao lado do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e de Marília Campos, o prefeito visitou o bairro nesta sexta-feira (23) e anunciou que a prefeitura irá ajudar financeiramente as famílias atingidas, sem, no entanto, fixar o valor da ajuda. "Não vai ser uma ajuda expressiva, mas sempre qualquer ajuda nessa hora é bem-vinda", disse.

Lacerda disse ter em mãos um levantamento de áreas na cidade de Belo Horizonte que correm risco de sofrer inundação. "É um estudo que a prefeitura contratou há um ano. Nós vamos agora estender para toda a bacia do Arrudas e, onde for possível fazer bacias de contenção, tal como a prefeita Marília anunciou que é possível fazer no córrego Ferrugem, será feito. (Vamos fazer) no córrego Bonsucesso e lançar até o final de fevereiro a licitação para (obras nos) córregos Olaria e Jatobá. Essa área foi muito afetada", relatou.

Para as obras do córrego Bonsucesso, Lacerda disse ter recursos assegurados de R$ 100 milhões do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Em relação aos córregos Olaria e Jatobá, o prefeito revelou que os recursos (R$ 50 milhões) destinados às obras de contenção deverão vir do PAC, mas ainda não estão assegurados pela prefeitura.

Alarme e radar para prever temporais
Ele ainda anunciou para o mês de fevereiro edital para aquisição de sistema de alarme contra inundação, a ser implantado na extensão do ribeirão Arrudas, e um radar meteorológico, que deverá, segundo ele, prever com antecedência de algumas horas em quais regiões estão se formando temporais.

O aparelho deverá ser instalado na região metropolitana provavelmente em 2010 e terá alcance de 300 km, conforme informou o prefeito. "Isso vai permitir que a defesa civil se antecipe a possíveis desastres naturais. Não é um investimento alto. Deverá ser de uns R$ 10 milhões", afirmou.

Uma reunião está marcada entre Lacerda e Marília Campos na próxima segunda-feira (26) para definirem ações conjuntas para viabilizar os recursos que ainda não foram garantidos para as obras anunciadas.

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