Pará teve 1.581 casos de trabalhadores em situação de escravidão em 2008

Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília (DF)

Atualizado às 17h37

O Pará foi o Estado que mais teve denúncias de casos de trabalhos análogos à escravidão no ano de 2008. De acordo com relatório da CPT (Comissão Pastoral da Terra), somente no ano passado foram 1.581 casos relatados pelo Governo Federal.

Setor sucroalcooleiro lidera ranking de trabalho escravo

O setor sucroalcooleiro lidera o ranking de 'escravos' libertados pelo governo federal em 2008. No total, 2.553 pessoas saíram de condições de trabalho equivalentes à escravidão no setor durante o ano passado. Isso equivale a 49% do total de 5.224 trabalhadores retirados em 2008

Em oito dos últimos dez anos, o Estado também foi o líder no número de pessoas libertadas da escravidão. No total, foram 11.053 pessoas libertadas desde 1995. Em segundo lugar no ranking, o Mato Grosso teve 5.262 casos. No total, foram 33.747 libertações feitas no país desde 1995.

Goiás foi líder em 2008
Em 2008, Goiás liderou o ranking de pessoas libertadas. O Estado do Centro-Oeste teve 867 libertos contra 811 do Pará. Porém, segundo Leonardo Sakamato, coordenador da ONG Repórter Brasil, os dados de um ano podem significar um ponto fora da curva e não constituem a regra para saber quais Estados estão em pior ou melhor situação.

"Se considerarmos os dados de trabalhadores libertados em 2008, observamos um aumento de Goiás, Alagoas e alguns outros. Mas o Pará continua sempre lá em cima, assim como o Mato Grosso," diz Sakamoto.

Ele também lembra que, no caso do Pará, as apreensões costumam acontecer em menor escala, pois são mais ligadas à pecuária. Neste setor há poucos empregados em cada lugar de produção.

Nos Estados onde a escravidão é mais ligada à produção da cana-de-açúcar, porém, centenas de pessoas podem ser libertadas de uma única vez. Isso ajudaria o crescimento esporádico de alguns estados no ranking.

"Poder público no Pará não cumpre seu papel"
Para Sakamoto, o Pará é um Estado em que as instituições não cumprem o seu papel. "O Pará, muita vezes, é cooptado e é parceiro e subserviente ao poder econômico" diz ele. "O Estado beneficia a elite local, mas não beneficia a massa de trabalhadores."

A rápida expansão da fronteira agropecuária pela Amazônia, segundo Sakamoto, contribui para os problemas no Estado. Mas, segundo ele, a expansão agropecuária não justifica sozinha os problemas do Pará. "São Paulo, por exemplo, é um lugar onde há expansão agropecuária. Mas lá há uma rede social e um Estado Federal mais atuante," diz.

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