Prefeito, vice, secretários e PMs são feitos reféns por colonos em Santa Catarina

Luiz Nunes
Especial para o UOL Notícias
Em Florianópolis (SC)

O prefeito, o vice-prefeito e dois secretários do município de Itaiópolis (SC), além de dois policiais militares foram feitos reféns por colonos que disputam uma área com índios nas proximidades do município na última quinta-feira (22). A área está em litígio e registra a disputa entre as partes há cerca de dez anos.

Traficantes fazem trégua em Florianópolis a mando de facção do Rio, diz PM

Em quatro comunidades do maciço do Morro da Cruz, em Florianópolis, onde há presença do tráfico de drogas, bandeiras brancas propõem uma trégua nos conflitos entre grupos rivais desde o Natal. Segundo a Polícia Militar, a iniciativa aconteceu a mando de uma facção criminosa do Rio de Janeiro - provavelmente, o Comando Vermelho - que ordenou que os grupos se organizassem, sob pena de que a própria facção se instalasse nos pontos de tráfico

A comitiva da prefeitura foi mantida em cárcere privado depois de negociar com índios que invadiram uma madeireira da região. Na viagem de retorno da área, foram barrados na estrada e impedidos de voltar à prefeitura por colonos que exploram madeira na região. "Eles estavam armados com facões e foices e tomaram a chave do nosso carro", disse o prefeito Hélio Wendt (PMDB), que afirmou ter foi dado um prazo até sábado para achar uma solução para o problema. O cárcere durou quatro horas e terminou na noite de quinta-feira.

Há duas semanas há bloqueios em uma estrada de acesso à área, que está sob litígio. Os índios querem a ampliação da reserva de 14 mil para 37 mil hectares, baseando-se numa portaria assinada em agosto de 2003 pelo então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Há também a exigência de que seja cumprida a determinação da Justiça Federal que impede a extração de madeira nas proximidades.

A confusão se originou depois que índios bloquearam o tráfego de caminhões que transportavam madeira e mexeram na carga, alegando que o recurso pertence à reserva.

Para o comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Ricardo Assis Alves, o prefeito foi ingênuo ao mediar o conflito entre índios e colonos. "Não havia segurança para negociar", atesta. Há apenas 20 policiais militares na região.

Com intermédio da Justiça Federal, o clima acabou se tranquilizando na área. Os procuradores de ambas as partes tentam chegar a uma solução para o caso.

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