Presa de novo, pichadora da Bienal obriga mãe a maratona judicial

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Rosemari Pivetta da Motta já tinha comprado passagem de ônibus de Porto Alegre para São Paulo para fazer uma surpresa para a filha, Caroline. Mas uma nova detenção, agora por tentativa de furto, mudou o humor dela. "Não acredito que vou passar tudo de novo", disse à reportagem do UOL.

PRISÃO E ENTREVISTA

  • Pichadora foi levada para DP do Itaim Bibi
  • Entrevista com Caroline Pivetta sobre pichação
Ela enfrentou uma maratona jurídica para libertar no final de 2008 a filha, que ficou conhecida como a "pichadora da Bienal". Rosemari ficou sabendo do ocorrido nesta sexta de manhã, após telefonema do advogado Augusto de Arruda Botelho.

Arruda Botelho vai pedir ainda nesta sexta o relaxamento de prisão de Caroline Pivetta da Mota, suspeita de tentativa de furto na noite de quinta em unidade das lojas Americanas do Itaim Bibi (zona sul). Caroline ficou detida por 50 dias no final de 2008 por grafitar paredes na tradicional mostra de artes de São Paulo.

A jovem de 24 anos estava em liberdade provisória havia um mês e foi novamente levada por policiais junto com duas amigas após seguranças do comércio denunciarem, a partir de imagens de vídeo de circuito interno, o fato.

"Foi uma arbitrariedade. Qualquer leigo sabe que não é crime: a sacola com os DVDs foi deixada na loja. Elas viram o preço alto e decidiram pesquisar em outra loja. Foram presas quando estavam vendo o produto em outro comércio da vizinhança", afirmou o advogado da garota.

As três seriam transferidas da 15º DP para a Penitenciária Feminina SantŽAna, onde Caroline esteve entre 26 de outubro e 19 de dezembro do ano passado.

A polícia prendeu as três em flagrante por furtarem DVDs, após a loja informar que imagens gravadas pelo sistema de segurança registrarem a mercadoria sendo colocadas em uma sacola, que depois foi abandonada em um corredor vizinho.

"Não está caracterizado a tentativa. Elas deixaram as coisas lá. Só seria crime se saíssem para a rua com eles e andassem uns quantos metros. A situação é kafkiana", classificou Arruda Botelho, que afirmou que o vídeo mostra as amigas com os DVDs, mas que Caroline nem se aproximou da seção com essa mercadoria. Os DVDs dentro da sacola foram encontrados durante a madrugada no interior da loja.

O advogado admite que o novo ocorrido pode dificultar a defesa no processo anterior, em que Caroline é julgada por depredação do patrimônio público e tem audiência marcada para o mês de fevereiro. "Infelizmente pode atrapalhar, mas não acredito que o juiz vai revogar sua liberdade provisória."

A detenção nos corredores da Bienal gerou polêmica no circuito das artes e na esfera política também, quando até membros do governo federal, como Juca Ferreira (pasta da Cultura) e Paulo de Tarso Vannuchi (Direitos Humanos), pedindo sua soltura à época.

Arruda Botelho disse que a delegada responsável insistiu no flagrante mesmo os produtos não saindo do comércio. "Foi um caso atípico. É como se alguém deixasse um carrinho cheio em um supermercado, saísse do local e fosse preso por isso."

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