Governo do RN admite déficit de servidores na saúde

Paulo Francisco
Especial para o UOL Notícias
Em Natal (RN)

Com 15 mil servidores, a secretaria de Saúde do Estado (Sesap) admite que o déficit de pessoal chega a 4.000 servidores, entre médicos, 13 categorias da área de saúde e funcionários de nível médio. Atualmente, o gasto do governo Rio Grande do Norte com pessoal da área é de cerca de R$ 30 milhões. A Sesap afirma que um médico com 40 horas de trabalho recebe entre salários e valores adicionais cerca de R$ 3.600.

Crise na Saúde em Natal

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    Nas camas, Dulcinea Monteiro, 79, e Adilia Maria Correia, 94, aguardam por cirurgia em Natal

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    A promotora Iara Pinheiro, que atua na área da Saúde

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    Gleydson Jonas dos Santos, com seu pai, o pescador Josefá da Silva dos Santos

Com a crise, a Sesap chamou 31 anestesistas aprovados em concurso para assumir seus postos em caráter de urgência. Até sexta-feira, apenas 15 tinham se apresentado. De um total de 160 médicos que passaram no concurso, menos da metade se apresentou até agora. São especialistas, como anestesiologistas, ortopedistas, pediatras e intensivistas adulto e infantil (trabalham nas UTIs).

Para aliviar a demanda dos dois maiores hospitais de capital, o Walfredo Gurgel e o Santa Catarina, que atendem principalmente traumas e neurocirurgias, a secretaria de Saúde está remanejando os anestesiologistas do seu quadro para o hospital Deoclésio Marques, em Parnamirim, na Grande Natal, onde são realizadas cirurgias ortopédicas.

Outros dois hospitais da região metropolitana também estão sendo preparados para realizar procedimentos cirúrgicos. No hospital de Macaíba serão atendidos os casos de obstetrícia. Em São José do Mipibu, as cirurgias seletivas.

Além de remanejamentos de médicos, a Sesap também está reorganizando o perfil de atendimento da rede hospitalar, que tem 23 unidades em todo o Estado.

A governadora Wilma de Faria determinou à secretária de Saúde do Estado que não renove os contratos com as cooperativas médicas para atender a rede particular conveniada, ficando o problema para o município de Natal. Ela também cobrou mais rigor dos gestores da rede pública para exigir a presença dos médicos na rede hospitalar, acabando com o sobreaviso, onde os profissionais ficavam em casa aguardando ser chamados para atender nas unidades.

Segundo a governadora, há casos de médicos recebendo R$ 30 mil mensais.

Outro lado: os médicos

Na hora que você faz uma padaria, a primeira preocupação é contratar bons padeiros. Aqui em Natal, foram construídos dois hospitais e não houve concursos para contratar os médicos

O secretario Municipal de Saúde de Natal, Levi Jales, foi procurado para falar da crise na saúde na capital, mas a assessoria de imprensa informou que ele estava em reunião e não podia atender.

Nos três hospitais privados com convênio com o SUS, mas que atendiam os pacientes com equipes das cooperativas, os atendimentos estão suspensos. No Itorn, cerca de 300 pacientes estão a espera de cirurgias. Nos outros hospitais, Memorial e Médico Cirúrgico, a secretaria Municipal de Saúde não soube informar o número de doentes aguardando cirurgias.

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