'Hospedagem solidária' do FSM tem ginásios lotados, camping de formigas e motéis sugestivos

Karina Yamamoto
Rodrigo Bertolotto
Enviados do UOL Notícias
Em Belém (PA)

Participantes dormindo em quadras esportivas, em barcos, em casa de família ou em motéis de beira de estrada. Para receber 120 mil pessoas, o dobro de sua capacidade de leitos para turistas, Belém teve que improvisar e aderir à chamada "hospedagem solidária", que vai muito além do acampamento universitário.

Acampamento improvisado

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Participantes do FSM armam barracas no campus da UFRA

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    Folhas de bananeiras são opção para conter umidade e terra fria

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    Rapaz nivela terreno com enxada antes de armar barraca

Na lista de hotéis sugeridos pela organização do Fórum Social Mundial tem até hotéis-fazendas a mais de 30 quilômetros da cidade que sediará o evento. Há também motéis das redondezas da cidade, com os sugestivos nomes Yes, Doce Paixão, Mimus e Scorpions.

Já a hospedagem em ginásios é a solução para quem quer evitar o chão úmido e cheio de formigas da UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia). "Só quero tomar um banho e trocar de roupa", afirmou Jéssica Bezerra, 23, estudante de Ecologia que saiu de Natal e fez 34 horas de ônibus para chegar ao Pará. Seu endereço nos próximos dias será uma barraca montada em uma quadra poliesportiva. No ginásio vizinho, devem entrar mais de 1.500 pessoas e colchonetes, com gente dormindo nas arquibancadas e embaixo da cesta de basquete.

Outros preferiram casas de família, aproveitando que há um posto para esse serviço para quem chega no aeroporto sem lugar para pousar à noite. É o caso do professor baiano Jean Santana. Ele até trocou de casa antes do Fórum. "A primeira que eu peguei era na rodovia e ia gastar uma nota para me locomover", justifica.

Seu novo anfitrião é o economista Florinês Pantoja, que ofereceu lugar para trocar experiências com os visitantes. "Mas acho que isso não vai dar certo, porque eles saem cedo e voltam tarde", se resigna diante do casal de franceses que também está parando por lá.

Uma opção bem ao estilo amazônico é ficar em barcos ancorados perto das universidades que receberão os encontros e debates sobre ambiente, política e economia. A maioria que escolheu esse modo é formada pelos povos da floresta, como ribeirinhos e indígenas que foram subsidiados para participar, mas também alguns integrantes de ONGs (Organização Não-Governamentais).

Já no camping disponibilizado na UFRA, nem as placas de "perigo, animais venenosos" afugentam os forasteiros da plantação de cupuaçu do local. O estudante paraense Luis Henrique Bittencourt pegou um fruto, comeu e ainda adaptou a casca como copo. "Cobra foge com tanta gente e tanto barulho", sentenciou o jovem.

Para isolar as barracas do chão úmido, as soluções foram várias, desde serragem até folhas de bananeira. Para matar a fome, um churrascão promovido pelos opositores da UNE (União Nacional dos Estudantes). A metros dali, o setor vegetariano do acampamento torcia para que os ventos de tempestades afastassem a nuvem carnívora dos assados. E lá, como no setor evangélico, nada de bebida alcoólica. Cada hospedagem com suas vantagens e desvantagens, confortos e desconfortos.

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