Quase 30% da população de BH vive em áreas de altíssimo risco de dengue

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte (MG)

Cerca de 650 mil moradores de Belo Horizonte (MG), ou 27,1% do total de 2,4 milhões de habitantes da cidade, vivem em áreas consideradas de altíssimo risco para contrair dengue. Isso porque nestas áreas foram detectados diversos focos da doença. O número de pessoas expostas pode ser ainda maior já que a prefeitura trabalha com números fornecidos pelo censo de 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Para avaliar o risco de epidemia, o Ministério da Saúde considera locais com níveis acima de 4% de infestação larvária (estágio inicial do desenvolvimento do mosquito transmissor - Aedes aegypti) como suscetíveis a surto da doença.

Toda a cidade está sob risco da doença após o Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) ter ficado em 3,9%. Ou seja, a cada 100 domicílios, os agentes de saúde da prefeitura encontraram criadouros da doença em quase 4. A vistoria é feita a cada trimestre. No entanto, as regiões de Venda Nova (5,7%), Leste (4,8%) e Pampulha (4,5%) apresentaram porcentagens acima do nível adotado pelo ministério.

O LIRAa do mesmo período do ano passado ficou em 1,9%, sendo que a doença infectou 12.823 pessoas e matou três em 2008. Neste ano, até o momento, a secretaria de Saúde informou ter 206 casos sob avaliação.

Para o recém-empossado titular da pasta, Marcelo Teixeira, um dos fatores do aumento do índice pode ser atribuído a fenômenos climáticos. "Tivemos um inverno de 2008 menos rigoroso, com temperaturas mais elevadas e a antecipação do período de chuvas. Nós observamos chuvas mais cedo no ano passado, o que criou um ambiente propício à proliferação do mosquito. Ou seja, tivemos mais águas e temperaturas mais elevadas", disse.

Outra preocupação de Teixeira é a situação em outros municípios da região metropolitana de Belo Horizonte. O município de Vespasiano (23 km de BH) apresentou índice de infestação de 7,7%, segundo a Secretaria Municipal de Saúde do local. Após reunião com colegas de cidades do entorno de Belo Horizonte, Teixeira informou ter sido criado um grupo intermunicipal para tentar debelar o problema.

"A decisão é de construirmos um plano em comum. Cada município prossegue com suas ações de combate à dengue, mas vamos elaborar um plano coordenando algumas ações conjuntas, de modo que possamos trocar experiências e pôr em prática, em todas as cidades, as ações mais bem-sucedidas", disse.

Outro fator preponderante apontado por Teixeira foi a descoberta de mais de 50% dos focos do mosquito transmissor nos imóveis residenciais. Para ele, a população tem acesso à informação sobre a doença, mas não as coloca em prática.

A secretaria conta com decreto autorizando, desde 2007, o arrombamento de imóveis onde os agentes não tiveram acesso após seguidas visitas. Extinguido o prazo legal dado ao dono do local para a vistoria, o proprietário do imóvel que foi averiguado após entrada à força poderá ser multado em R$ 6.201,00. De acordo com o governo municipal, nos próximos meses, 1.200 agentes vão visitar cerca de 800 mil residências na cidade.

Outra medida, em vigor desde o dia 8 de janeiro, é a permissão para a limpeza de lotes vagos cercados por muros ou arames. Nesse caso, se o dono não providenciar a capina e retirada do lixo, a multa varia de R$ 109,55 a R$ 3.286,44.

A prefeitura disse ter alocado R$ 15 milhões para o combate à doença.

Dengue no Estado
A doença também deixou cidades do interior em estado de alerta. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde divulgados na segunda-feira (26), além de Belo Horizonte e Vespasiano, outros seis municípios estão sob ameaça de epidemia.

Das 25 localidade que fizeram o LIRAa no mês de janeiro, Governador Valadares (leste do Estado - 311km de BH) tem a maior taxa: 8% de infestação larvária. Além da cidade, outras localidades na mesma região apresentaram alto foco de infestação, como Coronel Fabriciano (198 km da capital), com 6,9%, Ipatinga (209 km de BH), que registrou 6,8% e Timóteo (196 km de BH), com 4,2%.

Em Montes Claros foram registrados 4,7% (Norte de Minas - 417 km de distância da capital) e, em Sete Lagoas, a taxa bateu em 4,5% (região central - 70 km de BH). Outros 13 municípios do Estado estão com níveis entre 1% e 3,8%, informou a secretaria.

Os índices considerados satisfatórios são os situados abaixo de 1%, de acordo com o órgão.

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