Chacina de Unaí completa 5 anos sem o julgamento dos acusados pela morte de auditores fiscais

Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília

A Chacina de Unaí, município de Minas Gerais onde foram mortos três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho, completa cinco anos nesta quarta-feira (28) sem o julgamento dos acusados. Eles foram assassinados na cidade mineira quando vistoriavam a situação de alojamento e remuneração de trabalhadores em plantações de feijão.

Agência Brasil 
Auditores fiscais fazem manifestação em frente ao STF para protestar contra impunidade em Unaí

Cerca de 100 pessoas protestaram hoje contra a demora do julgamento em frente à sede do Supremo, em Brasília. Líderes dos auditores e três viúvas dos assassinados têm uma reunião marcada para às 16h30 com o presidente do STF, o Ministro Gilmar Mendes.

Dez meses após o assassinato dos auditores, o inquérito estava pronto e o Ministério Público fez a denúncia contra os nove acusados pelo crime. Porém, "desde então o julgamento não andou mais", de acordo com Carlos Alberto Nunes, presidente em exercício do Sinait (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho).

Após receber a acusação, o Tribunal Mineiro decidiu que o caso deveria ir a Júri Popular. Desde então, os acusados tentam impedir a continuidade desta forma de julgamento por meio de recursos. Atualmente, um recurso está em julgamento no STJ (Supremo Tribunal de Justiça).

"Estamos há 4 anos e 2 meses nessa guerra de recursos. Queremos que julguem com mais rapidez", disse Nunes. Ele citou como exemplo a velocidade do processo sobre o assassinato da Irmã Dorothy. Morta no Pará em 2005, depois da Chacina de Unaí, ela já teve a sua questão julgada. "Com a Dorothy foi mais rápido, o que está travando este nosso caso?", questiona o presidente.

Elba Soares da Silva, viúva de Nelson José da Silva, morto na Chacina, também reclama do adiamento da questão. "O dinheiro foi segurando tudo. Se fosse pobre, já teria sido julgado e sofrido a pena", diz ela. "A dor é a mesma de cinco anos atrás. Mas essa dor agora vem mais pela impunidade do que por outras coisas".

Prefeito reeleito de Unaí é um dos acusados
Um dos acusados pelo Ministério Público é o atual prefeito da cidade, Antério Mânica (PSDB). Ele chegou a ir para a prisão, de onde recebeu o resultado de sua primeira eleição, em 2004. Na votação, Mânica recebeu 72,37% dos votos válidos, ganhando foro privilegiado devido ao novo cargo. Agora ele responde ao processo em liberdade.

Reeleito ao cargo em 2008, ele é um dos maiores produtores de feijão do país. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), referentes à 2008, ele possui um patrimônio de mais R$ 19 milhões de reais. A grande maioria dele é composto de terras e equipamentos ligados à agricultura.

O prefeito foi procurado pela reportagem do UOL, mas a prefeitura informou que ele estava em férias e "incomunicável".

Entre os outros acusados, está Norberto Mânica, irmão do prefeito. Ele está livre devido ao Habeas Corpus concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) desde agosto de 2005.

O empresário Hugo Alvez Pimenta, dono da Humas Cereais Ltds., é acusado de ser um dos mandantes do crime. Ele teria pago R$ 45 mil reais pelas quatro mortes. Pimenta foi preso duas vezes, mas agora responde o processo em liberdade.

José Alberto Costa, conhecido como Zezinho, é acusado pelo MP de ter arregimentado o grupo. Ele é dono da Lucky - Flocos de Cereais e está solto desde dezembro de 2004, graças a habeas corpus do TRF de Minas Gerais.

Outros cinco dos nove acusados estão respondendo o processo atrás das grades. Entre eles, está Erinaldo de Vasconcelos Silva, suspeito de ter executado as quatro vítimas com sua pistola 380.

Neste mês, em homenagem à morte dos auditores, foi publicado no Diário Oficial a lei que transforma o dia 28 de janeiro no Dia do Auditor Fiscal.

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