Leptospirose ameaça moradores de áreas que foram inundadas em BH

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte (MG)

Sob a iminência de uma epidemia de dengue em toda a cidade, moradores de áreas em Belo Horizonte que foram inundadas pelas cheias do ribeirão Arrudas ainda têm de se prevenir contra outra doença, a leptospirose. Desde novembro do ano passado, quando ocorreu o aumento das chuvas na capital mineira, três pessoas morreram vítimas da doença.

120 municípios decretam emergência em MG

As fortes chuvas que atingiram Minas Gerais causaram o transbordamento do rio Piracicaba, que inundou parte dos municípios Rio Piracicaba e Alvinópolis na terça-feira (27). Nesta quarta, a Defesa Civil informou que 120 municípios já decretaram situação de emergência desde setembro do ano passado devido às chuvas, que atingiram 166 cidades em todo o Estado



No momento, existem 66 notificações e já há a confirmação de 10 casos da doença, segundo a Secretaria de Saúde. Desde o início de 2008 até o mês de outubro, duas pessoas morreram em decorrência de 53 casos que foram confirmados.

No restante do Estado, 60 casos da doença foram notificados até o momento e houve a confirmação de uma ocorrência. Em 2008, houve 73 confirmações, sendo que 10 pessoas morreram, segundo a secretaria de Estado da Saúde.

Para a médica Neusa Medeiros, responsável pela área técnica do órgão, o surgimento de pessoas infectadas era esperado por causa das inundações.

Na virada do ano, o transbordamento do ribeirão Arrudas provocou a morte de cinco pessoas na região Oeste e o alagamento de várias casas no entorno.

Já no dia 22 deste mês, nova cheia resultou na morte de uma mulher, na região do Barreiro, além de as águas terem invadido e destruído casas nas vilas Dom Bosco e São Paulo, em Contagem. Uma ponte ruiu no local.

"Nós tivemos enchentes de grande porte em um período muito curto. Então era esperado um aumento considerável dos casos por causa disso", explicou.

Casos de dengue

Até o momento, 20 pessoas contraíram a doença, que fez o maior número de vítimas na zona Norte da cidade, com 9 registros, segundo informou a secretaria de Saúde da capital. Ao todo, 395 casos foram notificados no município e, desse total, 321 ainda estão sob análise



A doença, o diagnóstico e o tratamento
Segundo a médica, os sintomas da doença são febre alta, dores musculares, principalmente na panturrilha, além de vômitos e calafrios e a possibilidade de surgir conjuntivite.

"Ela tem uma letalidade alta. Entre 5% a 20% dos casos vão a óbito. Nos casos mais graves, em pessoas muito debilitadas, isso pode chegar a 40%. A detecção precoce é o grande remédio contra a doença. O período de incubação pode variar entre 10 dias e 1 mês no ser humano", explicou.

Segundo Neusa Medeiros, um dos fatores preocupantes acerca da leptospirose é o diagnóstico, que em alguns casos, pode ser interpretado como outros males.

"Ela pode ser confundida com várias doenças como a dengue, a leishimaniose, a meningite e a hepatite, além da febre amarela", revelou.

Ela recomenda aos moradores de áreas inundadas, se possível, que evitem contato com as águas e descartem alimentos atingidos.

A médica ensina que a desinfecção de cômodos das casas atingidos por enxurradas deve ser feita com a mistura de meio copo de água sanitária para cada 10 litros de água. Para consumo humano ou para lavar alimentos, a pessoa deverá usar água filtrada.

De acordo com a médica, há recomendação aos postos de saúde para que sejam feitos testes imediatos na hipótese de o paciente apresentar algum dos sintomas.

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