Chuvas provocam seis mortes e deixam rastro de destruição no Rio Grande do Sul

Sílvio Ferreira
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre (RS)

As fortes chuvas que caíram no Rio Grande do Sul desde a noite de quarta-feira provocaram enchentes, mortes e destruição na região sul do Estado. A Defesa Civil informa que pelo menos seis pessoas já foram encontradas sem vida em meios aos escombros provocados pela força das águas. Duas vítimas estavam às margens no arroio Fragata, no Km 528 da BR-116, estrada que liga Porto Alegre a Jaguarão, no limite entre os municípios de Pelotas (localizado a 250 quilômetros da capital) e Capão do Leão.

Os corpos estavam presos em galhos na margem do arroio. As vítimas estariam dentro de um carro branco, que está submerso no local. Outro carro, de cor preta, também está dentro do arroio, mas ainda não foi possível identificar vítimas no interior do veículo. Ivanir Castro Rodrigues, 43, dona de casa, e Pedro Rodrigues, 54, mecânico, eram de Capão do Leão e tinham levado o filho Amauri ao trabalho. O casal morto deixa três filhos: Amauri, 29, Namur, 31, e Pedro Ricardo, 25. Há ainda dois corpos não identificados no IML de Pelotas.

Em Turuçu, município mais atingido pelas cheias, Vilmar da Silva Grillo, 55, caiu do telhado de uma casa, enquanto buscava refúgio para os alagamentos. Segundo a prefeitura, 1.200 dos 4.200 habitantes do município tiveram que deixar suas casas, sendo que 400 estão desalojados e 800 desabrigados. "Hoje a situação é grave, a chuva veio em grande quantidade e muito de repente", lamentou o prefeito de Turuçu, Eduardo Scherdien (DEM.

Pelotas: chuva de todo o mês de janeiro

As chuvas fortes e intensas que caíram nas últimas 24 horas sobre o sul do Rio Grande do Sul, contribuíram para ultrapassar a média climatológica de janeiro em várias cidades. Em Pelotas foram 134mm só de ontem pra hoje, sendo que o esperado para todo o mês é de 121mm. Somando o acumulado do mês, o valor chega a 199mm



Em Capão do Leão, município também próximo a Pelotas e que está praticamente ilhado do resto do Estado, o menino Gustavo Medeiros Matias, um ano e quatro meses, foi levado pelas águas da enchente e acabou encontrado preso a uma cerca no pátio de uma casa. Em Pelotas, a chuva interrompeu o fornecimento de energia e deixou metade da cidade sem água potável.

As principais rodovias que ligam a região sul ao resto do Estado estão comprometidas. "O isolamento de Pelotas é grave, estamos com todo o governo em alerta para ver de que maneira podemos ajudar para que este momento seja ultrapassado e tenhamos as rodovias seguras e desobstruídas novamente", informou a governadora Yeda Crusius.

Moradores da região informaram que um caminhão e uma motocicleta também teriam caído no arroio Fragata, quando a força das águas arrancou a cabeceira da ponte. Com a diminuição do volume de água, parte do caminhão começou a aparecer na superfície, mas ainda não há notícias de vítimas deste veículo.

As chuvas provocaram também o descarrilamento de um trem, com 62 vagões vazios, que fazia o trajeto Rio Grande-Santa Maria. A América Latina Logística (ALL) contratou mergulhadores para auxiliar nas buscas ao maquinista que perdeu o controle da composição no trecho ferroviário entre os municípios de Canguçu a Pelotas. O centro de controle da empresa registra a perda do contato via satélite com o maquinista às 0h46 da madrugada de quinta-feira.

A previsão meteorológica é de que a chuva continue no Estado, com possibilidade de ventos fortes no decorrer da noite.

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