Greve de ônibus para Maceió e gera transtornos na volta às aulas

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió (AL)

A volta às aulas em Maceió (AL) foi marcada por transtornos. Desde a meia-noite desta segunda-feira (2), toda a frota de ônibus está parada nas garagens por conta da greve dos rodoviários da capital. Nem mesmo a circulação de 30% dos veículos, prevista por lei, está sendo cumprida pela categoria. Os rodoviários protestam em frente às empresas e esvaziaram pneus para evitar que colegas de trabalho furassem a paralisação.

Cerca de 300 mil pessoas dependem diariamente do serviço público de transporte em Maceió. O problema mais grave se dá pelo início do ano letivo na capital. Segundo estimativas da prefeitura, o fim das férias aumentou em 20% o fluxo de veículos pelas ruas da cidade nesta segunda.

Greve em Maceió (Alagoas)

  • Carlos Madeiro/UOL

    Real Alagoas, maior empresa de transporte coletivo de Alagoas, está com o pátio lotado de ônibus

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    Nem mesmo a circulação de 30% dos veículos, prevista por lei, está sendo cumprida pela categoria

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    Paralisação por tempo indeterminado gerou trânsito e transtornos na volta às aulas

A decisão de paralisar as atividades foi tomada em assembleia na noite do último sábado, e a greve é por tempo indeterminado. O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário (Sinttro) afirma que a categoria recebe os menores salários do país. Hoje, o salário-base de um motorista é de R$ 892, enquanto os cobradores recebem R$ 525. "Um motorista em Recife, por exemplo, ganha R$ 1.140. Nosso salário está muito defasado e o sindicato está atento à vontade da categoria", afirmou o presidente do Sinttro, Écio Luiz.

A proposta apresentada pelos rodoviários prevê um aumento salarial de 15%, além de benefícios como a distribuição de cestas básicas. Os empresários oferecem apenas 0,72%, que complementariam 7,28%, dados em julho do ano passado. "Esses são benefícios que a categoria tem direito. Existem também muitas irregularidades nas empresas e que precisam ser sanadas. Esse é o momento", disse Écio. Até o meio-dia (horário de Brasília), não havia nenhuma reunião marcada entre empresários e funcionários.

Embora os sindicalistas aleguem negociações encerradas, o sindicato das empresas de ônibus de Maceió se disse surpreso com a paralisação. Segundo Miguel Torres, assessor de comunicação, as negociações estavam abertas e avançando. "Não havia necessidade de paralisação, já que estávamos negociando. Se fôssemos levar em conta o aumento nos preços dos insumos, como peças, pneus e óleos, nós não teríamos como dar nenhum aumento", alegou o representante dos empresários.

Torres confirmou também a proposta de 0,72% de aumento, mas reconheceu que esse índice pode aumentar. "Essa foi uma proposta apresentada para abrirmos a negociação, feita com base em planilhas de custos. Tudo isso foi apresentado ao sindicato deles", informou. Para o presidente do Sinttro, o percentual oferecido "é uma piada".

Por enquanto, a Prefeitura de Maceió não pretende entrar no fogo cruzado de trabalhadores e empresários. Segundo o superintendente de Transporte e Transito (SMTT), Jorge Coutinho, nenhuma medida foi tomada para aliviar o transtorno da população. Porém ele disse que deve imperar o bom senso enquanto houver paralisação. "Os táxis não podem fazer lotação, mas hoje não haverá punição. O que tem de haver é bom senso de todas as partes. Esperamos que as empresas busquem a justiça e garantam os 30% mínimos previstos por lei. A principio, nós não vamos interferir", alertou.

Transtorno
A greve pegou de surpresa muita gente. Os pontos de ônibus ficaram lotados, mas a espera nesta segunda-feira foi em vão. A situação em Maceió se torna mais grave porque não existe metrô e transportes alternativos não são regulamentados pelo município.

Por conta disso, foi comum ver usuários reclamando da falta de transporte na cidade. Aos 60 anos, Tereza da Silva afirmou que ia perder a consulta médica por falta de transporte público. "Já é difícil conseguir uma vaga no médico - e perder uma chance é absurdo. Acho que deveriam ter pelo menos alguns ônibus nas ruas", reclamou.

Já o servidor Fernando Guilherme estava com medo de ter o salário descontado por conta da falta. "Esperei até agora (por volta das 10h30) e não deu para ir. Não estava sabendo dessa greve e não trouxe celular para avisar. Mas acho que eles estão sabendo", lamentou o jovem.

Enquanto uns ficaram presos nos pontos de ônibus, outros fizeram malabarismo para chegar ao trabalho. O radialista Marcos Antônio conta que, para chegar às 7 horas ao local de trabalho, teve de pegar dois veículos que faziam transporte de forma "irregular", entre eles um táxi. "Na verdade tive sorte, até porque a rádio onde trabalho é bem localizada. Mas muita gente ficou lá, no ponto, sem alternativa", explicou.

Por conta da greve, os taxistas fizeram a festa e até puderam escolher os passageiros. De acordo com o presidente do Sindicato dos Taxistas, Ubiraci Correia, o aumento no fluxo atrai todos os profissionais liberais. "Há dificuldade de conseguir um táxi hoje, principalmente naqueles que você pede por telefone. E olhe que temos 3.000 taxistas na cidade e todos os habilitados devem estar nas ruas neste momento", assegura.

Sistema
O transporte urbano de Maceió possui uma frota de 730 ônibus. No último dia 1º, o preço das passagens de ônibus teve um reajuste e saltou de R$ 1,80 para R$ 2, o que causou protestos de estudantes na cidade. Pelos custos, segundo os empresários, o preço deveria ser de pelo menos R$ 2,40.

Ainda de acordo com os proprietários das empresas de ônibus, o crescimento do transporte clandestino e a gratuidade obrigatória para idosos e militares, além da meia-passagem para estudantes, são decisivas para o "rombo financeiro" do setor. "De cada 10 passageiros, só seis pagam", diz publicidade veiculada diariamente nos meios de comunicação de Alagoas.

Outro ponto discutido frequentemente é a licitação do transporte público, que deveria ter ocorrido há anos na capital. Uma ação civil do Ministério Público obriga a realização de um processo seletivo de empresas, que nunca foi realizada. Hoje, todas as nove empresas circulam de forma irregular na cidade.

Segundo a SMTT, o processo licitatório está em andamento, mas ainda em fase inicial. "Não posso dizer que vamos fazer licitação esse ano, mas tudo está sendo estudado e será informado à população à medida que os passos forem dados", afirmou o superintendente Jorge Coutinho.

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