Após paralisação em Maceió, rodoviários decidem voltar ao trabalho

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió (AL)

Os usuários de ônibus de Maceió (AL) já podem respirar aliviados. Depois de quase três horas de reunião, rodoviários e empresários chegaram a um acordo, e a greve da categoria deve acabar por volta das 18 horas (horário local) desta terça-feira (3). Às 17 horas está prevista uma assembleia dos trabalhadores, que vai deliberar sobre o retorno da circulação de ônibus, que deve acontecer de forma imediata. A expectativa é que os passageiros possam contar com 100% do sistema de transporte urbano até o início desta noite.
  • Carlos Madeiro/UOL

    Trânsito fica congestionado na avenida Fernandes Lima, a principal de Maceió, no início da tarde desta terça-feira. Antes do início da reunião, os rodoviários decidiram fechar quatro ruas e avenidas principais da capital alagoana, em protesto pela contratação temporária de motoristas e cobradores


A reunião assegurou aos rodoviários um reajuste de 2,72% que, somados aos 7,28% dados em julho de 2008, chega a um total de 10%. Inicialmente os rodoviários pediam 15%. Além disso, ficou acertado que os dois dias parados não serão descontados. Para a data-base de 2009, ficou acordado que as negociações terão início em maio próximo para que o reajuste seja concedido sempre no dia 1º de julho de cada ano. Também ficou decidido que os patrões vão fornecer cestas básicas aos funcionários a partir de julho deste ano. A quantidade será definida nas negociações que acontecerão daqui a três meses.

O acordo foi selado após um encontro tenso na sede da Procuradoria Regional do Trabalho de Alagoas (PRT). Antes do início da reunião, os rodoviários decidiram fechar quatro ruas e avenidas principais da capital alagoana, em protesto pela contratação temporária de motoristas e cobradores.

A reunião foi comandada pelo procurador do Trabalho, Rafael Gazzanéo Júnior. Devido ao acirramento dos ânimos, o encontro teve que ser suspenso para que as conversas acontecessem de forma segmentada. Membros da Polícia Militar e da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) também participaram das negociações.

Primeiro, o procurador ouviu as reivindicações dos rodoviários, que apresentaram uma nova proposta de 10%. Logo após, os empresários aceitaram o reajuste, mediante retorno ainda hoje dos ônibus às ruas.

Outro ponto que deve ser acertado é o fim do desconto do salário do cobrador em caso de assalto - prática constante das empresas de Maceió. A PRT alega que o desconto é indevido. O caso ainda será analisado. "O sujeito passa por estresse como um assalto e ainda perde o salário no fim do mês. É absurdo", alegou o advogado dos rodoviários, Narciso Fernandes.

Caos nas ruas
Enquanto a reunião acontecia na sede da PRT, os motoristas da cidade esperavam pelo desfecho das negociações. Em pelo menos quatro pontos vitais da cidade, ônibus de diversas empresas fecharam vias. Em todos os locais, homens do Batalhão de Trânsito e da SMTT tentavam negociar a liberação das ruas, sem sucesso.

No bairro do Bebedouro, o clima ficou tenso e houve princípio de tumulto. Segundo testemunhas, policiais usaram a força para conter um atrito entre manifestantes e motoristas. Vários empurrões foram dados por policiais, mas ninguém ficou ferido.

Na principal avenida de Maceió, a Fernandes Lima, o congestionamento chegou a quase 10 km. O empresário Cláudio Alencar revelou que demorou quase 30 minutos para percorrer um trecho de pouco mais de um quilômetro. "Faço esse percurso ao meio-dia, em horário de rush, em quatro, cinco minutos no máximo. Hoje estou preso aqui", reclamou.

Paralisação
A greve dos rodoviários foi decidida no último sábado à noite pela categoria e teve início à meia-noite de segunda-feira. Durante as 36 horas de paralisação, a capital alagoana sofreu com a falta de coletivos.

Segundo estimativas da SMTT, cerca de 300 mil pessoas circulam diariamente nos coletivos da capital. Na segunda-feira, nenhum ônibus saiu das garagens das nove empresas que prestam o serviço em Maceió.

Já nesta terça-feira, atendendo a pedidos do prefeito Cícero Almeida (PP) e do Ministério Público do Trabalho, o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário (Sinttro) colocou 30% dos carros nas ruas.

Mesmo assim, a situação piorou. Por volta das 8h30, os rodoviários notaram que as empresas haviam contratado motoristas e cobradores terceirizados e decidiram, "emergencialmente", fechar as principais vias da cidade.

Como não possui metrô, os maceioenses tiveram que esperar o desfecho da paralisação para poder trafegar normalmente pela cidade. Com o acordo selado, e as ruas liberadas pelos ônibus, o trânsito no início da tarde começa a voltar ao normal. A frota de ônibus de Maceió é estimada em 730 veículos, quando o necessário seria de pelo menos 1.150. A passagem na capital, desde 1º de janeiro, custa R$ 2.

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