Rodoviários em greve fecham ruas e avenidas de Maceió em protesto

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió (AL)

Depois da paralisação total nesta segunda-feira (2), os ônibus de Maceió (AL) voltaram a circular de forma parcial nesta terça-feira (3). Por decisão do próprio Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário (Sinttro), e atendendo ao que manda a lei de greve e a um pedido do Ministério Público do Trabalho, pelo menos 30% da frota deixou a garagem nesta manhã.

Greve em Maceió (Alagoas)

  • Carlos Madeiro/UOL

    Ônibus voltaram a circular de forma parcial nesta terça



A determinação de colocar os carros na rua foi tomada em assembleia no fim da tarde de ontem, quando os trabalhadores também decidiram manter a greve por tempo indeterminado.

Mas o que era para se transformar em alívio para a população se transformou em uma dor de cabeça ainda maior. Em decisão "emergencial" nesta manhã, o Sinttro decidiu também fechar várias ruas e avenidas da capital alagoana. O protesto atinge os bairros do Centro, Farol, Bebedouro e Tabuleiro do Martins.

Segundo José Edgar, diretor do sindicato, a ação é em represália à contratação de funcionários terceirizados pelas empresas. "Eles querem que todos os ônibus circulem e isso não pode. Estamos em greve. Nós já colocamos 30% dos carros nas ruas e eles contrataram pessoas de forma temporária e querem forçar uma circulação. Isso não vamos permitir. Temos que manter nossos empregos", assegurou.

Por conta do protesto, o trânsito nas principais ruas e avenidas está congestionado. Agentes de trânsito e policiais estão nos locais de engarrafamento para orientar os motoristas e negociar a liberação das vias.

O protesto irritou os empresários. Segundo o assessor de imprensa do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano, "o sindicato mostrou que não tem condições de comandar um movimento como esses".

Uma reunião na sede da Procuradoria Regional do Trabalho de Alagoas está marcada ainda para hoje na tentativa de selar um acordo entre empresas e trabalhadores.

Na noite desta segunda-feira, os empresários emitiram nota oficial à população, afirmando que a greve é "arbitrária" e não respeitou questões como a manutenção de 30% da frota nas ruas e o aviso público com 72 horas de antecedência.

Além de enfrentar a escassez de coletivos nas ruas, o maceioense também sofre com a forte chuva que cai desde a madrugada desta terça. Pelo menos dessa vez, a grande maioria da população foi informada sobre a falta de ônibus na cidade. Mesmo assim, vans, táxis e até carros particulares pegaram dezenas de passageiros que se aglomeravam nos pontos no início da manhã.

Negociação
Os rodoviários exigem um aumento de 15%, mais conquistas sociais como a distribuição de cestas básicas. Já os empresários oferecem apenas 1,22%, aumentando em meio ponto percentual a proposta inicial. Vale citar que em julho de 2008 os rodoviários receberam 7,28% de aumento.

O reajuste proposto foi rejeitado pela categoria. "Esse valor não contempla o interesse da categoria e precisamos sentar para negociarmos. Não podemos é aceitar esse valor, se recebemos os mais baixos salários do país", afirmou o presidente do Sinttro, Écio Luiz. Hoje, o salário-base de um motorista é de R$ 892, enquanto os cobradores recebem R$ 525.

A paralisação teve início à meia-noite de segunda-feira e prejudica também várias outras atividades na capital alagoana. O censo dos servidores públicos, que começaria nesta segunda-feira, acabou decepcionando pela falta da maioria dos recenseadores aos postos de coleta de informações. Muitos funcionários públicos do Estado, que procuraram os postos do censo nestas segunda e terça-feira, acabaram encontrando as portas fechadas. Os postos de saúde e escolas públicas também estão vazios pela falta de funcionários, pacientes e alunos.

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