Após exoneração do diretor do Hospital Geral de Alagoas, MPE vai investigar mau atendimento

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió (AL)

Após a divulgação da exoneração do diretor do Hospital Geral do Estado (HGE), em Alagoas, que foi mal atendido no próprio local na semana passada, o Ministério Público Estadual (MPE) de Alagoas resolveu agir. O pedido de exoneração, como revelou hoje o UOL, foi publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (4).

Crise da Saúde em Alagoas

  • Cortesia

    O Hospital Geral do Estado
    (HGE) de Alagoas sofre com as constantes mudanças de gestão, além da superlotação e falta de medicamentos e profissionais


Nesta quinta-feira (5), a Promotoria de Defesa da Saúde determinou a instauração de um inquérito para apurar as dezenas de denúncias que chegam diariamente ao MPE desde o final do ano passado.

No documento onde pede a instalação do processo, Tenório faz menção à "dignidade humana" e à "ética profissional", elementos que estariam faltando dentro do HGE. "Abrimos esse inquéritos pelas denúncias que vão desde a falta de equipamentos, a não-manutenção de alguns outros, além da falta de insumos e medicamentos, e má qualidade de equipamentos", explica Tenório.

Sobre o caso do diretor exonerado, Antonio de Pádua, a promotora afirmou que "se isso realmente ocorreu, como revela a imprensa, comprova a falta de condições de se trabalhar naquele hospital". "A questão lá é gestão. Tem que ter uma gestão profissional, voltada para a excelência. Quem assumiu tem que gerir de maneira adequada, senão vai responder por improbidade administrativa", completou Tenório.

Durante 90 dias, profissionais, ex e atuais gestores serão ouvidos pelo MPE, que ainda vai aguardar os relatórios solicitados aos órgãos classistas, como os conselhos regionais de medicina, enfermagem e nutrição. "Queremos ter uma situação geral do que se passa ali dentro. Para isso, estamos ouvindo todos os envolvidos, do médico, ao responsável pela lavagem de roupa", conta a promotora.

Embora a investigação esteja prevista para seguir até o início de abril, Tenório revela que enviou, para publicação no Diário Oficial desta sexta-feira, uma série de recomendações ao governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), ao secretário de Saúde, Herbert Motta, ao novo diretor do HGE, Alicio Moreira, além do reitor da Universidade da Ciência da Saúde de Alagoas (Uncisal), André Falcão. O foco será a busca, a partir de agora, da qualidade no atendimento. "Todos terão as responsabilidades investigadas. Precisamos de uma avaliação para identificar a culpa de cada um desses gestores, e que pode resultar em uma ação civil pública e de improbidade administrativa", revela a promotora.

Entre as denúncias, pacientes revelaram que alguns médicos se recusaram a prestar atendimento, além da falta constante de médicos nas escalas. "Precisamos saber se os plantões são presenciais ou se há médicos apenas de sobreaviso. Nós já havíamos recomendado que todos deveriam estar no HGE, e não ficar em casa esperando por chamados", revela.

Novo diretor
O novo diretor do HGE, Alicio Moreira, que tomou posse oficialmente na tarde desta quinta-feira, acredita que é possível melhorar a qualidade do atendimento em curto prazo. Para isso, ele diz que é preciso planejamento e conclusão de licitações e compras, para evitar falta de suprimentos e remédios. "Estamos falando de um hospital que tem 6.500 insumos e que todos têm de estar à disposição sempre. As faltas desses suprimentos são pontuais. Mas se faltar somente uma gaze, vai chegar à imprensa do mesmo jeito e vai ser um escândalo. Por isso temos que resolver logo", explica.

Alicio também deixou claro que pretende fazer mudanças e implementar um perfil técnico às diretorias da unidade, e assim melhorar todos os pontos de atendimento. "Vamos ter muito diálogo com os profissionais, mas o hospital não é só direção geral. As direções precisam ser formadas por pessoas técnicas e competentes. Aceitei o cargo, mas com a liberdade de mudanças", ressaltou o médico ortopedista, que tem 20 anos de trabalhos em emergências públicas do Estado e conhece bem as reclamações de sua categoria. "Vamos tentar equacionar tudo", afirmou Moreira.

Em entrevista a emissoras de rádio nesta manhã, o governador Teotonio Vilela reconheceu que o atendimento do HGE ainda não é o adequado. A justificativa dada por ele foi a não-conclusão das obras. "Esse hospital ainda será concluído. Até lá, não temos como prestar o atendimento que gostaríamos. É preciso também alguns ajustes, mas todos já estão sendo feitos pela nossa equipe", afirmou.

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