Com reajustes acima da inflação, novas tarifas do metrô, CPTM e EMTU entram em vigor em SP

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizado às 12h53

As novas tarifas do metrô, dos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e das linhas intermunicipais da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) começam a valer a partir desta segunda-feira (9) em São Paulo.

Os bilhetes unitários do metrô e do trem, que até então custavam R$ 2,40, sofreram reajuste de 6,3%, e serão vendidos a partir desta segunda por R$ 2,55.
MODALIDADETARIFA ATÉ 08/02 (em reais)TARIFA APÓS 09/02 (em reais)AUMENTO
Unitário2,402,556,3%
Unitário Lilás2,302,456,5%
Passe escolar (valor por viagem)1,201,2756,3%
Cartão Fidelidade - 20 viagens42,0047,0011,9%
Cartão BLA20,0021,507,5%
Bilhete integrado Metrô/CPTM + ônibus do município de São Paulo3,653,752,7%
Diferente do que havia informado a Secretaria dos Transportes Metropolitanos do governo do Estado, o reajuste está acima da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC/FIPE), que foi de 6,11%, no acumulado de fevereiro de 2008 - data do penúltimo reajuste das tarifas - a janeiro de 2009, e não 6,6%, como a secretaria informou nas páginas do Metrô e da CPTM na Internet.

A secretaria afirmou que considerou a inflação dos últimos 13 meses - janeiro de 2008 a janeiro de 2009 - para fazer o comparativo com o aumento da tarifa das viagens, pois os dados da inflação de janeiro de 2008 não estariam disponíveis e, portanto não foram considerados, no reajuste de fevereiro de 2008.

Outra justificativa da secretaria para o aumento é que, em 2008, o rendimento médio nominal dos trabalhadores na Grande São Paulo cresceu 8%.

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O presidente do Sindicato dos Metroviários, Wagner Gomes, critica a variação das tarifas. "O aumento é abusivo e não se justifica, já que o número de usuários do metrô cresceu muito nos últimos meses e, consequentemente, o volume de dinheiro arrecadado".

O passe escolar também sofreu reajuste de 6,3% e cada viagem custará R$ 1,275 (o passe escolar é vendido em cotas de 30 ou 50 viagens). Utilizado somente na Linha 5, o bilhete Unitário Lilás, que custava R$ 2,30, sofreu um reajuste de 6,5% e passará a custar R$ 2,45.

Já a tarifa que permite uso integrado entre ônibus e os trens do metrô e da CPTM, válida para o usuário que possuir o Bilhete Único, foi reajustada para R$ 3,75, um aumento de 2,7%.

O cartão BLA, que possui 10 viagens e só pode ser utilizado das 18h de sábado até o final da operação de domingo, passa a custar R$ 21,50, o que representa um reajuste de 8%, também maior do que da inflação dos últimos 12 meses.

Linhas intermunicipais
A EMTU reajustará as tarifas das linhas intermunicipais de ônibus também com índices superiores ao da inflação dos últimos 12 meses. Na Grande São Paulo, o reajuste médio será de 7,45%; na Baixada Santista, de 8,60%; e na Região Metropolitana de Campinas, de 9,18% (clique nos links acima para visualizar as linhas que sofreram reajustes nas regiões mencionadas; os arquivos estão em formato PDF). Só na Grande São Paulo, 600 itinerários de ônibus sofrerão aumento.

De acordo com a EMTU, as novas tarifas foram calculadas com base na alta dos preços do óleo diesel (11,54%), dos veículos (7,02%) e da mão-de-obra (8,5%). O peso desses itens no cálculo do custo do transporte é de 43% para mão-de-obra, 22% para combustíveis, 19% para veículos e peças e 16% para os demais.

Para Gomes, diante da crise financeira mundial, o governo estadual deveria manter o preço das tarifas do transporte. "A tendência é que o desemprego aumente e que os salários congelem. Esse aumento causará um grande impacto na população mais pobre de São Paulo", critica.

O Sindicato dos Metroviários informou que repudia os aumentos e exige do governo estadual uma maior participação no subsídio das tarifas. A Secretaria dos Transportes Metropolitanos autorizou todos os reajustes nos preços das tarifas.

Cartão fidelidade
A partir desta segunda, o Metrô e a CPTM comercializarão os cartões Fidelidade, nos quais o preço da tarifa é reduzido proporcionalmente ao valor dos cartões. O cartão fidelidade com 50 viagens será vendido por R$ 112,50, ou R$ 2,25 a viagem, o que representa uma redução de R$ 0,30 ou 11,8% em relação ao preço do bilhete unitário.

O usuário também pode escolher o cartão com oito viagens por R$ 19,60. Cada viagem sai por R$ 2,45 - R$ 0,10 ou 3,9% menos do que o bilhete unitário.

Já o cartão com 20 viagens, que existe desde março de 2007, foi reajustado e custará R$ 47. o que representa um aumento de 11,9% no valor. O preço de cada viagem sai por R$ 2,35. No momento de carregar, o usuário deve escolher se coloca créditos equivalentes a 8, 20, ou 50 viagens. A carga máxima para estes cartões é de R$ 200.

A partir de hoje não serão comercializados os bilhetes de integração entre metrô-ônibus simples e ida e volta. O motivo da extinção do modelo, segundo o Metrô, é que o Bilhete Único, que também possibilita a integração, é mais seguro e evita fraudes. Para quem já adquiriu os bilhetes de papel vendidos nas bilheterias das estações, a validade será até o dia 8 de maio de 2009.

Aumento surpreende usuários


Para o Sindicato dos Metroviários, "esta medida privilegia a bilheteria terceirizada e comercializada pela Planetek (onde o bilhete único é carregado), que submete seus funcionários a condições aviltantes de trabalho".

Tarifa do madrugador
O Metrô e a CPTM anunciaram a implantação da tarifa do madrugador para os usuários que utilizam o Bilhete Único. A tarifa entra em vigor a partir do dia 9 de março, e custará R$ 0,20 a menos para quem utiliza o metrô, entre 4h40 e 6h, e os trens da CPTM, das 4h às 5h20. Na integração com o ônibus, a tarifa do madrugador terá um custo final de R$ 3,60.

Para ter o benefício, bastará utilizar o Bilhete Único comum. A catraca da estação identificará o horário e cobrará o valor reduzido. O benefício não valerá para os usuários do Vale Transporte e dos Cartões Fidelidade.

Gomes diz que a criação de novos bilhetes e cartões não terá efeito entre os usuários. "Esses bilhetes não são significativos. Atendem a uma parcela muito pequena da população", critica.

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