Assassinato em Itaparica gera troca de farpas entre Jaques Wagner e João Ubaldo Ribeiro

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

O assassinato do empresário e velejador internacional Abel Habrosky de Aguilar durante um assalto no domingo (8) na ilha de Itaparica (26 km de Salvador), na Bahia, causou mal estar entre o governador Jaques Wagner (PT) e o escritor João Ubaldo Ribeiro. O escritor deu declarações com críticas à segurança pública do Estado, o que irritou o governador, que respondeu classificando as críticas de "deselegância".

O crime tem motivado uma série de manifestações de indignação por parte de moradores do local, que se queixam do clima de insegurança na ilha. Um protesto que tem em João Ubaldo um dos incentivadores foi marcado para a próxima sexta-feira (13). Baiano, o escritor mora no Rio de Janeiro e passa férias em Itaparica.

Como outros moradores e donos de pequenos estabelecimentos comerciais no local, João Ubaldo também já foi vítima da ação de bandidos, que furtaram parte da fiação elétrica de sua casa, que hoje tem as janelas protegidas por fortes grades. Ele diz que não poderá participar do protesto, mas afirma que as pessoas não podem deixar de se manifestar contra o que ele chama de "falta de vontade de mudança por parte dos governantes" em relação a Itaparica.

João Ubaldo define a ilha como "a prima pobre do Estado". "É preciso que os moradores da terra compreendam que não são empregados do governo. São as autoridades que têm o dever de servir ao povo, por isso não podemos agir como cordeiros", declarou o escritor, mencionando a necessidade de as pessoas "não perderem a capacidade de se indignar".

Ele diz que o Estado está "desmantelado" e acusa o governo de ter deixado uma única viatura, em gasolina para patrulhar a ilha. "Depois querem que a Bahia tenha uma imagem boa. Isso é uma esculhambação", espeta.

Por meio de sua assessoria, o governador Jaques Wagner informou que considerou deselegante a postura de João Ubaldo. "As críticas vão além da indignação legítima de qualquer cidadão frente a situações de violência, chegando ao limite da deselegância", disse. Para o governador, João Ubaldo não está suficientemente informado sobre a situação encontrada na Secretaria de Segurança Pública e o quanto já foi feito em termos de investimentos para melhor aparelhá-la.

O caso foi parar na tribuna do Senado, de onde o senador César Borges (PR), em discurso na terça-feira (10), fez coro com as declarações de João Ubaldo ao falar sobre a violência que toma conta da Baía de Todos os Santos, especialmente em Itaparica. Ele relatou o homicídio de que foi vítima o velejador, que estava ancorado na Marina de Itaparica.

César Borges, que também é velejador, lembrou que a marina foi construída no período em que governou a Bahia, com o objetivo de atrair turistas. O senador observou que velejadores costumam ancorar no espaço com suas famílias para passar as noites, "o que agora é uma temeridade".

Nesta quarta-feira (11), representantes da comunidade náutica da Bahia se reuniram com o secretário de Segurança Pública do Estado, César Nunes, para entregar um documento solicitando a intensificação na fiscalização em todo o litoral baiano, alegando que o aumento da violência é uma ameaça para o turismo na região.

Em resposta à forte repercussão que teve a morte do velejador, a Secretaria da Segurança Pública trocou o delegado da Polícia Civila da região. José Magalhães Filho assume o comando do policiamento em Itaparica em substituição ao delegado delegado Ruy Araújo Silva na delegacia da Ilha (19ª CP). Conhecido como linha dura e por um estilo de "xerife", Magalhães chegou prometendo que "bandido que cometer crime em Itaparica vai se arrepender". "O que estava faltando era autoridade", disse.

Outros casos
No final do ano passado, o casal francês Jean Marine Marxine Desquesses, 63, e Michéle Coutron, 64, também foi alvo de criminosos em Itaparica. Eles foram espancados e assaltados por três homens que invadiram o veleiro Maclow. Jean Marine ficou desacordado enquanto os bandidos saquearam o barco, levando relógios, computadores, aparelhos celulares e R$ 20 mil em dinheiro.

Na mesma região, uma lancha e outras três embarcações com turistas foram saqueadas no ano passado, no feriado da Semana Santa.

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