Jovens de classe média do Rio são maioria entre 53 presos pela PF em operações antitráfico

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizada às 20h33

Balanço das operações

  • Guilherme Gonçalves/JB
    • 51

      presos no total

      No Rio de Janeiro e outros oito Estados, além do Distrito Federal

    • 32

      na Operação Nocaute

      30 presos no RJ, 1 em Paranhos (MS) e 1 em Trancoso (BA)

    • 19

      na Operação Trilha

      19 presos, 12 no RJ, 5 em Santa Catarina (Florianópolis, Itajaí e Itapema), 1 em Brasília (DF) e
      1 em Caieiras (MT)

    • 78

      prisões

      Desde o início das investigações, em fevereiro do ano passado


    Jovens de classe média alta do Rio de Janeiro, com idade média de 26 anos, são a maioria dos presos nesta quarta-feira (11) em duas operações realizadas pela Polícia Federal, a Nocaute e a Trilha Albis, contra o tráfico de drogas sintéticas. Equipes foram mobilizadas nos Estados do Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. A PF afirma que esta é a maior ação de combate ao tráfico de drogas sintéticas já realizada no Brasil.

    De acordo com o balanço final da operação, grande parte dos 53 presos são moradores de áreas nobres da zona sul do Rio e acusados de fazer parte de duas quadrilhas, que diferem na estrutura. Na Operação Nocaute, os membros constituíam uma rede de tráfico, de entorpecentes e armas, em esquema de cooperativas, enquanto os presos na Trilha Albis atuavam nos moldes de uma organização criminosa, apenas com drogas.

    Entre os materiais apreendidos nas duas operações estão cerca de R$ 20 mil, três correntes de ouro, cinco relógios de alto valor e três motocicletas e sete automóveis.

    O Ministério Público Federal já ofereceu denúncia contra 64 pessoas, incluíndo suspeitos presos durante as investigações. "Os acusados são todos jovens de classe média alta, residentes em bairros nobres, principalmente no Rio de Janeiro, muitos praticantes de surfe e frequentadores de academias, que largaram os estudos e jamais tiveram ocupação lícita formal ou informal", afirmam os procuradores da República José Augusto Vagos e Orlando Cunha, responsáveis pela denúncia.

    Ainda segundo os procuradores, eles dedicavam-se "exclusiva e diuturnamente ao comércio de entorpecentes, onde auferem rendimentos que possibilitam um padrão de vida sedutor para a maioria dos jovens de sua idade".

    Ao longo de dez meses de investigações, foram apreendidos, aproximadamente, 112 mil comprimidos de ecstasy e 115 mil micropontos de LSD, além de cocaína, haxixe, maconha, lança-perfume e skunk.

    De acordo com o Ministério Público Federal, os acusados contratavam "mulas" para transportar cocaína para a Europa, principalmente para a Holanda, de onde traziam drogas sintéticas para vender no Brasil.

    Veja a seguir a rota utilizada:



    "Trilha"
    Dos 28 denunciados à 8ª Vara Federal do Rio, oito já haviam sido presos em flagrante ao longo das investigações enquanto transportavam 86,7 mil comprimidos de ecstasy, 61,9 mil micro-pontos de LSD, 1.802 gramas de skunk, 5.215 gramas de cocaína, 730 gramas de haxixe e 60 gramas de maconha.

    As investigações duraram cerca de dez meses e começaram com a apreensão, em 20 de fevereiro do ano passado, de 990 gramas de cocaína por policiais franceses no Aeroporto de Orly, escondidas em uma mochila de marca brasileira. Por volta de 20 dias depois, dois brasileiros foram presos pela polícia francesa.

    "Nocaute"
    Segundo o Ministério Público Federal, o esquema investigado pela Operação Nocaute funcionava em formato de rede, "mais à semelhança de uma cooperativa do que uma empresa, com falta de rigidez na divisão de funções, com estrutura horizontal em lugar do modelo hierárquico tradicional".

    De acordo com o procurador da República Marcello Miller, apesar de os dois processos serem distintos e se referirem a duas quadrilhas diferentes, houve necessidade da Polícia Federal em deflagar as duas operações simultaneamente porque havia uma pessoa em comum nos dois esquemas. "As operações foram feitas em conjunto porque uma quadrilha poderia ficar alerta caso a outra fosse desarticulada", disse.

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