Presos pela PF por tráfico de drogas são denunciados pelo Ministério Público

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizada às 16h18

Balanço das operações

  • Guilherme Gonçalves/JB
    • 51

      presos no total

      No Rio de Janeiro e outros oito Estados, além do Distrito Federal

    • 32

      na Operação Nocaute

      30 presos no RJ, 1 em Paranhos (MS) e 1 em Trancoso (BA)

    • 19

      na Operação Trilha

      19 presos, 12 no RJ, 5 em Santa Catarina (Florianópolis, Itajaí e Itapema), 1 em Brasília (DF) e
      1 em Caieiras (MT)

    • 78

      prisões

      Desde o início das investigações, em fevereiro do ano passado


    O Ministério Público Federal já ofereceu a denúncia contra 64 pessoas, alvos das operações Trilha e Nocaute da Polícia Federal, contra o tráfico de drogas sintéticas. Destas, 51 já foram presas, 42 só no Rio de Janeiro. Das denúncias, 36 foram feitas à 7ª Vara Federal Criminal (no caso da operação Trilha) e 28 delas à 8ª Vara Federal Criminal, as duas no Rio de Janeiro.

    De acordo com a polícia, os dois grupos eram formados por jovens de classe média alta do Rio de Janeiro e, segundo o MPF, comunicavam-se principalmente pela Internet. Os presos, com idade média de 26 anos, podem responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e tráfico internacional e foram encaminhados ao Sistema Prisional do Estado.

    "Os acusados são todos jovens de classe média alta, residentes em bairros nobres, principalmente no Rio de Janeiro, muitos praticantes de surf e frequentadores de academias, que largaram os estudos e jamais tiveram ocupação lícita formal ou informal", afirmam os procuradores da República José Augusto Vagos e Orlando Cunha, responsáveis pela denúncia.

    Segundo os procuradores, eles dedicavam-se "exclusiva e diuturnamente ao comércio de entorpecentes, onde auferem rendimentos que possibilitam um padrão de vida sedutor para a maioria dos jovens de sua idade".

    Segundo o Ministério Público Federal, os acusados contratavam "mulas" para transportar cocaína para a Europa, principalmente para a Holanda, de onde traziam drogas sintéticas para vender no Brasil.

    Veja a seguir a rota utilizada:



    "Trilha"
    Dos 28 denunciados à 8ª Vara Federal do Rio, oito já haviam sido presos em flagrante ao longo das investigações enquanto transportavam 86,7 mil comprimidos de ecstasy, 61,9 mil micro-pontos de LSD, 1.802 gramas de skunk, 5.215 gramas de cocaína, 730 gramas de haxixe e 60 gramas de maconha.

    As investigações duraram cerca de dez meses e começaram com a apreensão, em 20 de fevereiro do ano passado, de 990 gramas de cocaína por policiais franceses no Aeroporto de Orly, escondidas em uma mochila de marca brasileira. Por volta de 20 dias depois, dois brasileiros foram presos pela polícia francesa.

    "Nocaute"
    Segundo o Ministério Público Federal, o esquema investigado pela Operação Nocaute funcionava em formato de rede, "mais à semelhança de uma cooperativa do que uma empresa, com falta de rigidez na divisão de funções, com estrutura horizontal em lugar do modelo hierárquico tradicional".

    Ainda conforme o MPF, com sede no Rio de Janeiro e ramificação em Niterói, a associação era voltada, predominantemente, para o comércio de drogas sintéticas (ecstasy e LSD), lança-perfume e haxixe. Segundo a PF, foram apreendidos nos últimos dez meses 25.310 comprimidos de ecstasy e 53.400 micropontos de LSD.

    De acordo com o procurador da República Marcello Miller, apesar de os dois processos serem distintos e se referirem a duas quadrilhas diferentes, houve necessidade da Polícia Federal em deflagar as duas operações simultaneamente porque havia uma pessoa em comum nos dois esquemas. "As operações foram feitas em conjunto porque uma quadrilha poderia ficar alerta caso a outra fosse desarticulada", disse.

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