Em 2008, roubo de cargas em SP cresceu 2,46% e provocou prejuízo de R$ 233 mi

Elisa Estronioli
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Os roubos de cargas no Estado de São Paulo aumentaram 2,46% em 2008 com relação a 2007, com o registro de 6.344 casos contra 6.192 no ano anterior. O prejuízo total do ano foi avaliado em R$ 232,9 milhões, 13,8% a mais que em 2007. Estes números são parte de um levantamento feito pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp).

Segundo o sindicato, cerca de 87% dos casos foram registrados na capital e na região metropolitana. Só a cidade de São Paulo responde por 3.701 ocorrências, mais da metade (58,34%) dos casos do Estado. "Isso acontece porque é uma megalópole, onde há grande circulação de carga e necessidade de abastecimento. Além disso, o trânsito lento deixa os veículos mais vulneráveis", explicou o assessor de segurança do Setcesp, Paulo Roberto de Souza.

No ano passado, a Prefeitura de São Paulo implantou restrições à circulação de caminhões durante o dia na capital. De acordo com o Setcesp, uma consequência foi o aumento da frota de veículos utilitários de entrega, em substituição aos caminhões e VUC's (veículos urbanos de carga, ou seja, caminhões de até 6,30 m de comprimento). "Com mais veículos circulando [para transportar a carga de um VUC, por exemplo, são necessárias três Kombis ou duas vans] há o aumento de trânsito e do risco de roubos", afirma o assessor.

Paulo Roberto não acredita que um fator de insegurança seja o aumento de entregas à noite. "Em geral, o varejista não quer receber a carga durante a noite. A maioria deixou de contratar um caminhão para contratar três veículos utilitários (livres da restrição durante o dia)".

Dentro do município, a região com mais roubos de cargas foi a zona sul, com 1.100 casos. A zona leste ficou em segundo lugar, com 959 ocorrências, seguida pelas zonas norte (882), oeste (421) e centro (339). Segundo Paulo Roberto, a região mais atingida varia de acordo com a fiscalização. "Cinco anos atrás, os roubos se concentravam na zona norte, em 2005 e 2006, na zona leste e agora na zona sul".

As outras cidades da região metropolitana respondem por 1.227 casos de roubos de carga (19,34% do total do Estado) e as rodovias, por 1.048 (16,52%). Em outras cidades (interior e litoral), houve 368 casos em 2008 (5,8%).

Dentre as rodovias, a mais afetada pelo problema foi a Presidente Dutra, com 164 casos, seguida pela Anhanguera, com 144, e pela Régis Bittencourt, com 124.

Após restrições a caminhões em São Paulo, frota de utilitários aumenta 30%

As restrições à circulação de caminhões entre 5h e 21h e o aumento da área de rodízio, medidas implantadas há cerca de sete meses em São Paulo, impulsionaram as transportadoras que atuam na capital a trocarem caminhões por utilitários como vans, Kombis e Fiorinos

Segundo o estudo, os roubos são realizados com maior frequência de segunda a sexta-feira, entre 8 e 14 horas. "De tarde, os veículos já estão vazios", diz o assessor.

Por tipo de carga, a maior incidência de roubos recaiu sobre os produtos alimentícios (1.533 ocorrências, com prejuízo de R$ 20,8 milhões), mas o maior prejuízo foi provocado pelo roubo de eletro-eletrônicos (701 ocorrências, com R$ 51,9 milhões).

Segundo Paulo Roberto, até 2002 era possível observar um forte crescimento nos números de roubos de cargas no Estado, seguido por um período de estabilização até 2006. A partir de então, a tendência observada foi de crescimento moderado na faixa dos 2%. "O problema é que há receptores para essas cargas roubadas", afirma.

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