Confronto entre MTST e Guarda Civil de Mauá termina com três hospitalizados e 25 autuados

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizado às 20h22

Um confronto entre militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e integrantes da Guarda Civil Municipal de Mauá, durante uma manifestação do movimento na manhã desta quinta-feira (19) na prefeitura de Mauá (SP), terminou com dois manifestantes e um guarda hospitalizados. A polícia autuou 25 manifestantes. Outros seis guardas sofreram ferimentos leves.
  • Ricardo Trida/AE

    Duas pessoas ficaram feridas durante o confronto entre membros da Guarda Civil Municipal de Mauá e militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)


Por volta das 11h00, cerca de 150 manifestantes chegaram de ônibus à prefeitura. O grupo se dividiu e uma parte entrou no prédio da prefeitura para tentar uma conversa com o prefeito Oswaldo Dias (PT), enquanto outra parte do grupo permaneceu protestando em frente ao prédio.

O MTST acusa a Guarda Civil de ter atirado contra os manifestantes que ocuparam o interior da prefeitura. O motivo do protesto é uma reintegração de posse, marcada para depois do Carnaval, de um terreno da prefeitura no bairro Jardim Paranavaí ocupado por cerca de 250 famílias há quatro meses.

A Guarda Civil Municipal de Mauá confirma que uma pessoa levou dois tiros nas costas, mas afirma não saber de onde partiu o disparo. Uma funcionária da prefeitura entrou em trabalho de parto durante a manifestação, informou a Guarda Civil.

Funcionários do Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini confirmaram que duas pessoas feridas no confronto deram entrada no pronto socorro, mas não souberam afirmar se os ferimentos foram causados por arma de fogo. A assessoria da imprensa da prefeitura disse que outro manifestante também se feriu no confronto.

A prefeitura de Mauá acusa os manifestantes de praticarem atos violentos e de depredaram as instalações. De acordo com a Guarda Civil, os manifestantes estavam munidos de pés de cabra, pedras e paus. Ao todo 79 pessoas foram detidas e encaminhadas para delegacias de Mauá. Destas, 25 foram autuadas pelas supostas depredações.

Durante a manifestação, balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo foram utilizados pela Guarda Municipal para conter os manifestantes. A assessoria de imprensa da prefeitura afirmou que o prefeito não estava no gabinete no momento do protesto.

Zezito Alves da Silva, o Joarez, um dos coordenadores do MTST, nega o uso da violência no protesto. "A manifestação era pacífica. Nós estávamos em 150 pessoas e partimos de ônibus para a prefeitura. Lá, o movimento se dividiu: cerca de 90 pessoas entraram no prédio da prefeitura e o restante seguiu protestando do lado de fora", relata.

"No interior da prefeitura, tiros de arma de fogo foram disparados ou pela Guarda Civil ou pela Polícia Militar e atingiram dois manifestantes", acusa.

Segundo Joarez, os manifestantes que estavam no interior da prefeitura foram encaminhados ao 1º DP de Mauá. Os outros manifestantes continuaram protestando em frente à prefeitura.

O coordenador do MTST afirma ainda que integrantes do movimento se reuniram com o secretário municipal de Habitação de Mauá, Sérgio Afonso dos Santos, em 26 de janeiro, 11 dias depois de o pedido de reintegração de posse ter sido despachado.

"O secretário sabia do pedido de reintegração, mas não nos informou. Estávamos lá para negociar uma solução e ele disse que só haveria negociação se desocupássemos o terreno", diz. "Nós exigimos a suspensão do pedido de reintegração para podermos negociar com a prefeitura um local para as famílias sem teto se instalarem", declara Joarez.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos