Governo lançará neste semestre programa para troca de 10 milhões de geladeiras, diz Múcio

Lourenço Canuto
Da Agência Brasil
Em Brasília

O governo pretende lançar ainda neste semestre programa que vai estimular a troca de 10 milhões de geladeiras usadas por modelos novos, que consomem menos energia elétrica e não poluem o meio ambiente. A informação foi dada hoje (19) pelo ministro de Relações Institucionais da Presidência da República, José Múcio.

Múcio participou na manhã de hoje, no Ministério de Minas e Enegia, de reunião do grupo de trabalho sobre energia, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que discutiu a matriz energética brasileira. O ministro Edson Lobão (Minas e Energia) afirmou que logo depois do carnaval o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "vai bater o martelo" para que o programa comece a funcionar.

De acordo com Lobão, o Brasil deverá aumentar a produção de energia elétrica em 50 mil Mw nos próximos dez anos. Ou seja, 50% sobre o que já é gerado atualmente no país, equivalente a 105 mil Mw. Ele disse que está havendo sobra de potencial e, por isso, o Brasil está negociando parte desse excedente.

Dentro de dois a dois anos e meio vai haver troca de energia com a Venezuela, de 3 a 4 mil Mw, como já ocorre com outros países da América do Sul, de acordo com Lobão. Para tanto, terão que ser construídas linhas de transmissão nos dois territórios, ficando cada um com o custo da sua área. "Essa troca de energia não vai envolver despesa mútua e dará mais segurança ao Brasil e ao país vizinho". Já existe linha de transmissão entre a Venezuela e o Norte do Brasil, mas ela não suporta a transmissão de carga adicional, por isso é necessário criar outra estrutura.

O ministro de Minas e Energia assinalou que está afastada a possibilidade de racionamento ou apagão no país. Ele lembrou que, ao assumir a pasta, "aves agourentas" diziam que o Brasil ia ter apagão, porque o ministro não era da área. "No entanto, o que existe hoje é sobra de energia e o país está economizando 10% sobre o potencial que produzia antes do racionamento de 2001".

Lobão revelou que pretendia propor um programa destinado a estimular mais economia de energia no país, mas deixou na gaveta "para ninguém começar a especular que o setor elétrico brasileiro poderia estar passando por dificuldade". O plano decenal de energia, segundo ele, deverá investir R$ 767 bilhões na matriz energética brasileira.

A cada ano esse programa passa por avaliações e alterações de rota. O Brasil produz a energia mais limpa do mundo, lembrou Lobão, ao dizer que, por isso, não aceita críticas de outros países, uma vez que também não é dada prioridade no Brasil à produção dos combustíveis alternativos em detrimento da produção de alimentos.

Também o sistema interligado brasileiro é exemplo para o mundo, assinalou o ministro na reunião do grupo de trabalho sobre energia. Lobão afirmou que "tudo o que se faz hoje no país, na área de energia ou não, conta com a ampla participação da sociedade no processo de decisão, coisa que nunca aconteceu em outros governos".

Lobão também prevê que até o final do ano deverá haver um equilíbrio maior no preço do barril do petróleo, que está demasiadamente baixo, tornando menos lucrativos os negócios da Petrobrás. Os preços dos combustíveis não baixaram junto porque o país hoje produz o equivalente ao que consome e por isso não fica à mercê dos humores do mercado, explicou o ministro. Ele lembrou que, quando o barril do petróleo chegou a US$ 150 (hoje está cotado a cerca de US$ 35), os preços dos combustíveis não aumentaram na mesma proporção. Em relação ao querosene de aviação , no entanto, o ministro reconheceu que o preço já sofreu baixa considerável em conseqüência da queda no preço do barril do petróleo no mercado internacional.

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