Clima tenso leva Justiça a proibir festas de Carnaval em cidade de Alagoas

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió (AL)

Os moradores de Porto de Pedras, no litoral Norte de Alagoas, vão ter que esperar até 2010 para brincar Carnaval na cidade. O juiz eleitoral do município, Gustavo Lima, proibiu qualquer manifestação festiva nas ruas, como blocos e shows, durante os quatro dias de folia. A cidade é conhecida por ter um dos carnavais mais animados do litoral Norte e sempre é tomada por veranistas durante o feriado.

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    Com pouco mais de 10 mil habitantes, Porto de Pedras está a 100 km da capital, Maceió, e é um dos quatro municípios do Estado que teve a eleição de outubro de 2008 cancelada por problemas dos eleitos com a Justiça

A portaria que traz a decisão foi comunicada nesta quinta-feira (19) e foi adotada por conta da nova eleição para prefeito, que será realizada no próximo dia 15 de março. Além disso, o juiz também proibiu a venda de bebidas alcoólicas após a meia-noite até o dia da votação.

Com pouco mais de 10 mil habitantes, Porto de Pedras está a 100 km da capital, Maceió, e é um dos quatro municípios do Estado que teve a eleição de outubro de 2008 cancelada por problemas dos eleitos com a Justiça. O vencedor da disputa na primeira votação em Porto foi Rogério Farias (PTB), irmão do ex-tesoureiro da campanha de Fernando Collor à presidência, Paulo César Farias. Com 52,76% (2.716) dos votos, ele teve a candidatura impugnada pelo TSE.

Em novembro do ano passado, Farias, o juiz eleitoral da cidade, Rivoldo Sarmento, e mais cinco pessoas foram presas durante a operação Voto Nulo da Polícia Federal. As investigações apontam que o magistrado teria repassado dados sigilosos da Justiça para confecção de listas falsas de votantes. No dia da eleição, centenas de títulos eleitorais falsos foram apreendidos pela Polícia.

Clima é tenso na cidade
Segundo relato dos moradores, o clima de disputa na cidade é tenso. Segundo Gustavo Lima, a medida é para evitar um acirramento dos ânimos, como ocorreu na campanha de 2008. "A cidade vive um período eleitoral, os candidatos estão em busca de votos. Por isso é prudente essa medida", justificou o juiz Gustavo Lima, o mesmo que concedeu liminar, no ano passado, afastando os deputados estaduais acusados de corrupção.

Para garantir o cumprimento da decisão, o juiz solicitou reforço policial. "A medida não é simpática à população, mas é necessária. As pessoas vão poder realizar suas festas em suas propriedades, não vamos impedir isso. Nossa proibição é para as ruas", garantiu.

O município informou, por meio da assessoria, que não vai recorrer da decisão. "Conversei com o prefeito em exercício [Ednaldo Costa (PDT)] e ele aceitou", informou o magistrado. Ednaldo é um dos dois candidatos à nova eleição, que ainda tem a participação de Júnior Boi Lambão (PTB), apoiado pela família Farias.

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    A cidade é conhecida por ter um dos carnavais mais animados do litoral Norte e sempre é tomada por veranistas durante o feriado

O comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, Coronel Claudevan Albuquerque, afirmou que não vai deslocar mais policiais do que o número que estava previsto. Segundo ele, 10 militares e uma viatura vão estar nas ruas todos os dias. "Como não teremos festa na cidade, o número é suficiente. Já recebemos a notificação da Justiça e, caso alguém queira insistir em descumprir a decisão, os policiais estão aconselhados a levar qualquer uma até a delegacia", acredita.

Além de serem obrigados a voltar às urnas, os 6.452 eleitores da cidade podem voltar a sentir a frustração de votar e eleger um chefe do Executivo em vão. Isso porque os dois candidatos têm pedidos de impugnação.

No caso de Júnior, o pedido é do Ministério Público Eleitoral. Já no caso de Ednaldo, a coligação adversária entrou na Justiça contestando a legalidade da candidatura. Os dois casos já foram indeferidos pelo juiz Gustavo Lima, mas ambos recorreram ao TRE. Os casos devem ser analisados até o dia 10. Caso sejam aceitos os pedidos, a eleição não terá validade.

Policiais sem férias
Mas a Polícia Militar não vai reforçar a segurança somente na cidade de Porto de Pedras. Para tentar conter os índices de violência, todo o efetivo à disposição será utilizado nos quatro dias de festa, inclusive aqueles que estavam de férias ou lotados em assessorias militares. A medida também foi adotada pela Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Rodoviária Federal.

O plano de segurança da Secretaria de Defesa Social espera garantir a tranqüilidade aos foliões e turistas de Maceió, que nessa época do ano lotam hotéis e pousadas em busca de descanso.

"O Carnaval para nós é uma verdadeira 'operação de guerra' e precisamos de todo o efetivo. Por isso, contamos com a participação de todos que possam nos ajudar", afirma o comandante de Policiamento da Capital, Coronel Luciano Silva.

Silva assegura ainda que as cidades da região metropolitana que concentram os maiores índices de violência devem ter uma atenção especial. Mas a maior atenção deve ficar nas regiões turísticas da cidade de Maceió. "O turista que está em Maceió pode ficar tranquilo que haverá policiais durante todos os horários dos dias de carnaval", assegurou.

Segundo a secretaria de Defesa Social, a Polícia Militar vai contar 6,7 mil homens. A Civil terá 2,1 mil, enquanto o Corpo de Bombeiros de Alagoas vai às ruas com 291 militares. Segundo a secretaria de Turismo do Estado, a ocupação hoteleira nos próximos quatro dias deve ficar na casa dos 95%. Em Maceió, as festividades acontecem apenas em alguns bairros da periferia e não atraem o setor turístico.

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