Centrais sindicais estudam dia nacional de protesto contra demisssão de trabalhadores

Elaine Patricia Cruz
Da Agência Brasil
Em São José dos Campos (SP)

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e as centrais sindicais estudam a realização de um dia nacional de protesto contra a demissão de trabalhadores no Brasil. A decisão foi anunciada na tarde de hoje (27), após reunião na sede do sindicato.

"Hoje o importante foi que todas as centrais, com exceção da CUT [Central Única dos Trabalhadores], vieram aqui para apoiar a luta dos companheiros da Embraer [Empresa Brasileira de Aeronáutica] e começar a pensar em ações unitárias onde houver outras demissões e em ações que levem em conta mudanças na política econômica do país", disse o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.

Ele informou que na próxima semana as centrais sindicais vão se reunir novamente para elaborar um calendário de lutas para evitar mais demissões no país. Segundo Juruna, a mudança proposta pelas centrais passa pela diminuição da taxa de juros, redução da jornada de trabalho e aumento dos investimentos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

Já o coordenador da Conlutas, José Maria de Almeida, citou a decisão do desembargador Luís Carlos Sotero, do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas, aceitando o pedido de liminar e suspendendo as demissões na Embraer, dizendo que vai "corrigir, pelo menos provisoriamente, uma injustiça". Segundo ele, além da reintegração dos funcionários, a sentença permitirá a abertura de uma negociação dos sindicatos com a empresa.

Almeida disse que, com a decisão do desembargador, os funcionários reintegrados ao quadro continuarão recebendo seus salários normalmente, sem nenhum tipo de prejuízo. "Se a empresa quiser reintegrá-los à produção neste momento, ela pode fazê-lo, mas, se os mantiver afastados, terá que pagar seus salários com todos os encargos sociais devidos, como se fossem empregados normais da empresa."

A Embraer, empresa fabricante de aviões, anunciou no dia 19 deste mês a demissão de cerca de 4,2 mil trabalhadores, o equivalente a 20% do quadro de 21.362 funcionários. Na ocasião, a empresa divulgou comunicado dizendo que foi a crise internacional que a levou a "efetivar uma revisão de sua base de custos e de seu efetivo de pessoal, adequando-os à nova realidade de demanda por aeronaves comerciais e executivas". Cerca de 90% das receitas da Embraer são oriundas de exportações, que, de acordo com a nota, vêm sendo afetadas pela crise internacional.

A decisão do desembargador Luís Carlos Sotero suspende até a próxima quinta-feira (5) as 4,2 mil demissões na Embaer.

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