Movimento Católicas afirma que excomunhão no Recife é crueldade

Mariana Jugnmann
Da Agência Brasil

O movimento Católicas pelo Direito de Decidir encarou com "indignação" a decisão do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, de excomungar os médicos e a mãe da menina de 9 anos que passou por um aborto esta semana. De acordo com a polícia, o padrastro confessou que abusava da garota.

Arcebispo também afirmou que aborto é crime mais grave do que o estupro

  • Rodrigo Lobo/JC Imagem/AE

    O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, disse em entrevista nesta sexta-feira que considera a excomunhão um "remédio espiritual", referindo-se ao caso da menina de nove anos que ficou grávida após ser estuprada pelo padrasto e submetida ao aborto em PE


"Não dá pra dizer que a coisa é absolutamente inesperada, mas, de qualquer forma, para nós, isso se configura como uma crueldade", afirmou Valéria Melk, representante da entidade feminista e de caráter inter-religioso.

Para ela, a atitude do arcebispo foi mais uma contribuição negativa para a situação. "Em nome de possíveis valores abstratos que não fazem nenhum sentido na realidade desta criança, esse tipo de coisa vai somando violências numa situação já bastante violenta para uma criança de 9 anos", avaliou.

Católica, Valéria acredita que a excomunhão pode ter um peso social grande para quem pratica a religião. "Se essa pessoa faz parte de uma comunidade, ela tem uma série de valores e situações que são importante para a vida, como o sentimento de pertencimento com a comunidade que ela está. E essas pessoas agora são marcadas e estigmatizadas de uma forma completamente injusta, que não faz sentido."

De acordo com ela, o fato de o padrasto da menina não ter sido submetido à excomunhão mostra como a Igreja lida com a mulher. Para ela, é injusto que a pessoa que praticou a violência não receba punição enquanto que "os médicos que tentaram minimizar os danos desta violência passem por isso".

Para Valéria, a Igreja Católica, composta pelos fiéis e por vários movimentos, é mais "plural" que os dirigentes conservadores.

Esta semana, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que a decisão do arcebispo foi "radical" e "inadequada". Entre os casos previstos em lei para autorização do aborto estão estupro e risco de vida para a mãe.

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