Trabalhadores demitidos de multinacional alemã ocupam fábrica em São Paulo

Elisa Estronioli Do UOL Notícias Em São Paulo

Os 60 funcionários despedidos pela Bekum do Brasil completam uma semana de ocupação na fábrica nesta terça-feira (10), na zona sul de São Paulo. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, filiado à Força Sindical, ainda não há previsão de deixar do local.

Metalúrgicos protestam com "salsichada" em frente a Consulado da Alemanha

Cerca de 80 trabalhadores da empresa Bekum do Brasil, fábrica de máquinas para embalagens de plástico, localizada na zona sul da capital paulista, protestam em frente ao Consulado da Alemanha, na zona oeste de São Paulo, contra demissões e falta de pagamento de direitos trabalhistas

"Os trabalhadores vão ficar até que a empresa pague a verba rescisória", afirmou Edson Passos, diretor do sindicato. Os trabalhadores estão acampados no pátio da fábrica, com barracas da central sindical, desde o dia 3 de março. De acordo com Passos, durante o dia, quase todos ficam no local e à noite eles fazem um revezamento.

Os funcionários decidiram ocupar a fábrica de máquinas para embalagens de plástico após uma audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em que não se chegou a um acordo com a empresa.

Dos 84 funcionários da empresa, 60 foram demitidos no dia 20 de fevereiro, véspera do Carnaval. "A produção está parada", diz Edson. "Mesmo com algumas máquinas faltando pouco para entregar".

Em nota, a Bekum do Brasil afirma que "contemplará, evidentemente, a indenização dos empregados dispensados" no plano de recuperação judicial. A recuperação judicial - um mecanismo que substitui a concordata, de acordo com a Lei de Falências de 2005 - foi pedida pela empresa no dia 2 de março. A Bekum justifica que "o modesto número de pedidos não permite que a empresa sequer se aproxime de sua plena capacidade produtiva" e culpa a crise econômica mundial pelo problema.

De acordo com o advogado da empresa, André Ribeiro, há um impedimento legal ao acerto de contas com os trabalhadores: "o processo de recuperação judicial não permite que o devedor favoreça nenhum dos credores (no caso, os trabalhadores)".

Quanto à ocupação da fábrica, Ribeiro afirma que a empresa já registou um boletim de ocorrência e comunicou ao TRT. Outras medidas, como uma reitegração de posse, não estão descartadas.

Uma nova audiência para buscar um acordo deve ser marcada no TRT ainda essa semana, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos.

"Salsichada"
Ontem à tarde, os trabalhadores fizeram um protesto em frente ao Consulado da Alemanha, na zona oeste de São Paulo, na tentativa de sensibilizar o órgão sobre as demissões - a Bekum é uma multinacional alemã. Usando roupas típicas daquele país, os manifestantes montaram uma grelha em frente ao consulado para distribuir salsichas - produto típico da Alemanha - às pessoas que passavam pelo local.

Na semana passada, o sindicato mandou uma carta ao IG Metall (Sindicato dos Metalúrgicos da Alemanha), pedindo apoio para pressionar a matriz da empresa na Alemanha a buscar uma solução favorável aos trabalhadores.

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