Usinas do rio Madeira reduzem impacto da crise em Rondônia

Luana Lourenço
Da Agência Brasil
Em Porto Velho

A crise financeira internacional e as previsões de queda no crescimento econômico do país parecem não ter chegado a Rondônia, principalmente à capital, Porto Velho, que vive a euforia de um empreendimento orçado em mais de R$ 21 bilhões - o Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, formado pelas usinas de Santo Antônio e Jirau.

Depois de alcançar resultados acima da média nacional em 2008, os setores industrial, de comércio e serviços apostam em mais crescimento para este ano. No Natal, o crescimento das vendas na capital, em relação ao ano anterior, chegou a 17%. "De modo geral, Porto Velho foi a cidade com maior crescimento per capita do Brasil. E para este ano a perspectiva é de crescer cerca de 30%", diz o presidente da Federação do Comércio (Fecomercio), Francisco Linhares.

O primeiro shopping center da cidade foi inaugurado em novembro e as obras do segundo deverão ser concluídas até 2010. Grandes grupos como Votorantim e as multinacionais Alstom, Carrefour e Makro também estão se instalando na região.

Para o setor industrial, a perspectiva também é promissora, na avaliação do presidente da Federação das Indústrias de Rondônia (Fiero), Denis Roberto Baú, que aposta em "um crescimento contínuo" nos próximos anos. Segundo ele, o pico de contratação das indústrias será em meados de 2010, quando cada uma das usinas deverá terá 10 mil trabalhadores na construção.

De olho na demanda dos consórcios responsáveis pelas obras, a Fiero está agrupando empresas para garantir o fornecimento de pedidos que individualmente não conseguiria atender. A idéia é evitar ao máximo que as usinas comprem produtos de fora do Estado, como aconteceu recentemente com a madeira, o que gerou mal-estar entre o governador Ivo Cassol e a construtora Odebrechet, que toca a obra de Santo Antônio.

"Não foi intencional. Já reunimos governador e empresários. Pedimos aos consórcios que nos repassem a especificação da madeira que necessitam e a indústria rondoniense certamente vai produzir dentro desses parâmetros", minimizou Baú.

De acordo com os empresários, o único setor econômico do Estado afetado pela crise até agora foi a pecuária, que perdeu compradores internacionais por causa da recessão. Segundo Linhares, da Fecomercio, o único caso de demissão em massa no estado nos últimos meses foi justamente um frigorífico, que dispensou 400 funcionários. "Estamos orientando nossos industriais a redirecionarem suas estratégias de vendas para atender o mercado interno, porque esse sim está aquecido", afirmou Denis Baú.

Para evitar que o fim das obras das usinas, previstas para entrarem em funcionamento em 2013, deixe o setor com capacidade ociosa, o representante da indústria aposta na saída para o Pacífico. Segundo Baú, a chamada rodovia Transoceânica - construída com 85% de capital privado - deverá estar completamente pavimentada até julho de 2010. "Vamos fazer o intercâmbio comercial do Brasil, da indústria de Rondônia, com os países andinos".

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