Polícia goiana acredita que tragédia em Goiânia foi planejada

Sebastião Montalvão
Especial para o UOL Notícias
Em Goiânia (GO)

A polícia goiana acredita que Kléber Silva, 32, premeditou o roteiro trágico que acabou na morte dele e da filha Penélope, 5, na queda de um avião de pequeno porte no estacionamento do maior shopping de Goiânia (GO) no final da tarde de quinta-feira (12).
  • Wildes Barbosa/O Popular/AE

    Imagem de arquivo pessoal mostra o casal Érika Corrêa dos Santos e Kléber Barbosa da Silva com a filha Penélope


"Tudo indica que ele convidou a mulher e a filha para passear já sabendo do desfecho. Mas não sabemos porque ele planejou tudo isso", afirmou o delegado do caso, Jorge Moreira, apesar do comportamento aparentemente normal dele nos dias anteriores em casa. O delegado afirmou ainda que pretende esclarecer a questão ouvindo a mulher de Kléber, em depoimento que deve acontecer no início da próxima semana.

Moreira afirma que a família - Kléber, a mulher Érika e Penélope - passou o último fim de semana passeando na cidade de Caldas Novas (170 km de Goiânia). Na segunda-feira de manhã, ainda de acordo com a polícia, ele teria seguido e estuprado uma garota de 13 anos após puxá-la para dentro de seu carro, um Vectra branco. O caso foi registrado na Delegacia de Apuração de Atos Infracionais (Depai) de Aparecida de Goiânia, cidade vizinha à capital goiana.

Com base em informações da vítima, que anotou parte da placa do carro, a polícia já estava à procura de Kléber antes do acidente. No final da manhã de quinta-feira (12), ele pegou o carro e a família seguiu em direção a Anápolis (54 km de Goiânia). Por volta das 14h, Érika foi agredida pelo marido com um extintor de incêndio próximo a Terezópolis de Goiás (17 km de Goiânia) e jogada para fora do carro em movimento após uma suposta briga entre o casal. A mulher foi socorrida por uma ambulância que passava pelo local e foi internada.

Para parentes, piloto de GO era 'tímido' e 'sistemático'

Kléber Barbosa da Silva era um homem introvertido, sem amigos e econômico nos afetos à mulher e à filha. Estas características eram vistas apenas como as de um rapaz "tímido" e "sistemático". No enterro de Penélope na tarde de hoje, o comportamento dele foi reavaliado e associado à exaustão a de um "psicopata", "louco" e "assassino", pelos mesmos parentes


Kléber então fugiu com Penélope em direção ao aeroclube de Brasília, localizado na cidade de Luziânia (GO). O homem simulou que queria contratar uma aeronave, mas assumiu o controle do avião após render o piloto. Kléber voltou para Goiânia, onde aconteceu a tragédia.

Para o delegado Jorge Moreira, a sequência de crimes na tarde de ontem foi motivada pelas brigas constantes do casal. "Pelo que sabemos, ela (Érika) nem sabia dessa história do estupro. E ele também não deveria saber que estava sendo procurado", disse.

A rotina no apartamento da família teria seguido normal após o estupro. "Eles moravam há pouco tempo aqui. E quase não tínhamos contato. Só o vi algumas vezes. Mas não ouvimos ou percebemos nada de anormal por aqui", afirmou um vizinho, que pediu para manter sua identidade em sigilo.

O acidente
Por volta de 18h30 de ontem, o avião pilotado por Kléber caiu no estacionamento do shopping Flamboyant - o maior de Goiânia - no bairro Jardim Goiás. De acordo com a Polícia Militar, a aeronave, um EMB-712, de prefixo PT-VFI, com capacidade para três pessoas, caiu sobre 23 veículos que estavam estacionados.

Kléber não tinha brevê (a carteira de habilitação dos pilotos), mas frequentava o aeroclube e tinha noções de pilotagem. Ele fez voos rasantes em outros locais da cidade antes de cair no estacionamento, a 10 metros da entrada principal do shopping, o que indica que a queda pode ter sido intencional.

Segundo a polícia, o avião não colidiu com o edifício porque bateu antes em uma árvore de grande porte. Antes de cair, a aeronave já havia atingido de raspão uma roda gigante de um parque de diversões. A PM e os bombeiros haviam recebido inúmeras ligações de pessoas informando que um avião desgovernado sobrevoava a cidade.

A FAB informou que aeronaves em "alerta de defesa aérea" decolaram ao serem notificadas da ocorrência do roubo da aeronave. "O acompanhamento por caças da FAB aconteceu durante todo o tempo em que o PT-VFI permaneceu em voo, primeiramente, por um Mirage 2000 e, posteriormente, por um avião T-27 Tucano."

Durante a perseguição, os pousos e decolagens foram suspensos no aeroporto de Goiânia, "a fim de garantir a segurança das aeronaves em geral e, particularmente, para proporcionar as melhores condições de pouso para o PT-VFI". A nota da FAB afirma ainda que "até o momento em que a aeronave colidiu com o solo, os órgãos de controle de tráfego aéreo e os pilotos da FAB que acompanharam a aeronave roubada não conseguiram contato-rádio com o piloto".

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