Distrito Federal lidera vendas de arma de fogo no Brasil

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

De cada quatro armas novas comercializadas legalmente no ano passado no Brasil, uma foi vendida no Distrito Federal. Foram 5.913 armas vendidas na capital e 22.451 em todo o país.

O número é alto se comparado à população local. No Estado de São Paulo, com cerca de 40 milhões de habitantes, foram vendidas 2.241 armas novas em 2008. No Distrito Federal, há 2,5 milhões de habitantes. Ou seja, o Distrito Federal, com uma população 16 vezes menor que a de São Paulo, comprou mais que o dobro da quantidade de armas.

Os dados são do Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal (PF), que desde o Estatuto do Desarmamento, em 2003, centraliza os cadastros, registros e portes de armas civis no país. Não entram na contabilização armas de uso restrito policial. Os registros mais comuns são de revólveres com calibres 22 a 38 e pistolas 380.

É a primeira vez que os dados do comércio de armas civis são contabilizados por unidade da Federação. Até o início de 2004, os cadastros ficavam com as secretarias de Segurança.

Os números do DF surpreenderam o secretário de Segurança Pública, Valmir Lemos. "Os dados são altos. Só vejo duas explicações. A primeira é a grande quantidade de empresas de segurança que funcionam aqui. Além disso, tem gente que mora na capital, mas tem fazenda em Goiás."

No Distrito Federal, há cinco lojas de armas. Neto Lobo, gerente de uma delas, diz haver dois tipos principais de clientes: empresas de segurança e policiais que optam por ter armas próprias, além das fornecidas pela corporação. "Com o Estatuto [do Desarmamento], a lei ficou muito rígida e nossos clientes civis caíram mais de 70%", afirma.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Segurança Privada, 50 empresas prestam esse serviço no DF. "São muitas e, no ano passado, só de uma delas bandidos roubaram 100 armas", conta o secretário Valmir Lemos.

"Arma de fogo dentro de casa cria o risco de acidentes que podem vitimar o dono da arma ou alguém da família. Ou pode ser roubada e ser usada na prática de crimes", diz o secretário.

Especialista em violência da Universidade de Brasília, a psicóloga Ana Maria Branco explica que o grande número de armas mostra que a população age como se achasse insuficiente a segurança oferecida pelo Estado. "Isso acaba alimentando a violência ao colocar mais armas nas ruas e em mãos de pessoas nem sempre preparadas."

*Com informações do portal 'Correio Braziliense'

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