Homem que roubou avião em Goiânia queria morrer pilotando, diz viúva

Tião Montalvão
Especial para o UOL Notícias
Em Goiânia

A viúva de Kleber Barbosa da Silva, 32, que conduziu o avião que caiu sobre o estacionamento de um shopping em Goiânia, afirmou em depoimento à polícia nesta terça-feira (17) que o marido já havia pilotado antes do incidente e que, se um dia atentasse contra a própria vida, o faria pilotando uma aeronave. Érika Corrêa, 23, foi ouvida pelo delegado Manuel Borges no 8º Distrito Policial da capital goiana. A filha do casal, de cinco anos, morreu no acidente.

"Érika nos confirmou que Kleber havia decolado, pilotado, inclusive com ela a bordo, por duas ou três vezes em monomotores, aeronaves semelhantes ao que caiu no shopping", afirmou o delegado responsável pela investigação.

Érika também disse que Kleber tinha "paixão" por aeronaves e informou ao delegado que, em uma oportunidade, o marido chegou a dizer que, se um dia atentasse contra a própria vida, seria pilotando. "Ainda no hospital, quando soube da queda de um avião no shopping, ela disse às pessoas que tinha certeza de que se tratava do marido e da filha", afirmou o delegado.

Ainda segundo Borges, Érika informou que, em um desses voos, o instrutor chegou a dizer que Kleber já estaria pronto também para fazer aterrissagem. "Segundo ela nos informou, o instrutor elogiou a habilidade de Kleber, mas ele não aceitou fazer o pouso. Disse que não tinha interesse", relatou o delegado.

Ainda com o rosto apresentando inchaço, a cabeça, o braço esquerdo e um dedo da mão direita enfaixados, Érika chegou à delegacia às 15h30 e não falou com a imprensa. O advogado Alexandre Pimentel, que a representa, exigiu uma cadeira de rodas para conduzi-la do carro à sala de audiência e uma poltrona especial a ser usada durante o depoimento, que durou cerca de duas horas. Além do advogado, acompanharam Érica à delegacia a irmã dela, Elaine Corrêa, e o tio delas, Adão da Mota, que é policial.

Suposto estupro
Érika, segundo a polícia, não soube informar o que supostamente teria provocado uma ação tão extrema por parte do marido. No depoimento, ela afirmou não saber da acusação de estupro contra o marido e que não notou qualquer mudança de comportamento dele. "Isso só reforça a nossa tese que se tratava de um psicopata. A frieza é uma das características", disse o delegado.

"O depoimento dela contribuiu muito para o andamento do inquérito. Foram esclarecidas muitas dúvidas", resumiu Borges. Uma delas é com relação à suposta arma que ele teria usado para roubar o avião no aeroclube de Luziânia (216 km de Goiânia). Ela disse ao delegado que o marido nunca teve arma. Por conta disso, Borges afirmou que deve ouvir novamente o piloto que teve a aeronave roubada.

Ainda nesta terça, uma equipe da delegacia seguiria à estrada onde Érika teria sido agredida pelo marido, após a vítima ter informado que o extintor utilizado nas agressões e as sandálias dela ainda estariam no local. Na próxima semana, está programada a realização de uma reconstituição do trajeto do voo, que será anexada ao inquérito.

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